Os Ensinamentos Sociais da Igreja Católica Apostólica Romana aspiram gerar a fé viva que conduza o povo a ações de amor universal, para revelar uma visão social transformadora capaz de tornar palpável o Reino de Deus. Manifestando os temas fundamentais da fé, os ensinamentos da igreja procuram responder aos desafios enfrentados pela humanidade neste complexo mundo atual em constante mudança. Esses temas e essas respostas tendem a aumentar e a se desenvolver, mudando com o passar do tempo para corresponder às dificuldades de cada época e assim poder falar de maneira válida ao mundo como ele é.

Os sete princípios dos Ensinamentos Sociais da Igreja Católica em relação às realidades que nos desafiam no mundo de hoje são:

  1. Toda vida é sacra e a dignidade humana deve ser respeitada.
    Realidades do Mundo: Racismo, preconceito, represálias étnicas; pena de morte; materialismo, comércio irrestrito e consumismo; tráfico ilícito e abuso de drogas; sexismo; abuso de mulheres e crianças.

  2. Todos os povos são iguais e têm o direito e o dever de participar plenamente na vida da própria comunidade.
    Realidades do Mundo: Individualismo e obstáculos à participação na comunidade; divisões econômicas e de classe, tendência a estereotipar indivíduos, privação dos direitos civís; discriminação por gênero; discriminação racial, étnica ou religiosa; negligenciamento em tratar da questão dos imigrantes e dos refugiados. 

  3. Toda pessoa tem direitos humanos inalienáveis, mas também o dever de aceitar o desafio de viver à altura das responsabilidades humanas.
    Realidades do Mundo: Genocídios étnicos, encarceração de dissidentes políticos, abuso de prisioneiros, privação de liberdades sociais e políticas; privação dos direitos humanos à alimentação, à assistência de saúde, à educação e à moradia adequada.

  4. Nós, católicos, somos chamados a imitar a Deus, demonstrando uma opção preferencial pelos pobres e oprimidos.
    Realidades do Mundo: Negligenciamento na assistência aos pobres, aos idosos, às mulheres e às crianças; carência de moradia popular e atendimento médico; a crescente divisão entre os ricos e os empobrecidos, bem como entre as nações desenvolvidas do hemisfério norte e as nações em desenvolvimento do hemisfério sul do planeta.

  5. Trabalhamos para continuar construindo o Reino de Deus na terra. O trabalho é dignificado quando os direitos dos trabalhadores são defendidos e o objetivo da economia é servir as necessidades de todas as pessoas.
    Realidades do Mundo: Deslocamentos de povos inteiros do próprio território, desemprego generalizado e subemprego desprotegido, práticas trabalhistas injustas, baixos salários, manufaturas ilícitas exploradoras dos trabalhadores, mão-de-obra infantil; práticas de negócios não-regulamentadas; sistemas globais geradores de injustiça econômica tais como desonestas instituições e políticas de intercâmbio comercial.

  6. Por pertencermos à família global, aceitamos o desafio de amar o próximo como a nós mesmos, demonstrando solidariedade para com nossos irmãos e irmãs de todo o planeta. Realidades do Mundo: Nacionalismo e competição econômica, divisões énicas, perseguição de populações minoritárias, conflitos inter-grupais em grande e pequena escala, violência das gangues; falta de compreensão e de atenção para com os problemas e sofrimentos dos outros.

  7. Todos partilhamos um só planeta e somos os guardiães da criação de Deus na terra.
    Realidades do Mundo: Desmatamento, destruição ambiental, poluição, aquecimento global do efeito-estufa, perda permanente de habitat para grupos humanos e outras criaturas, consumo insustentável dos recursos naturais do planeta.

[Extraído de "Educação para a Justiça" do Centro de Interesses.]

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