Comemoração dos 200 Anos da Abolição do
Tráfico Atlântico de Escravos

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A recente comemoração em abril último dos 200 anos da abolição do tráfico atlântico de escravos no Império Britânico em 1807,  foi estabelecida em novembro do ano passado mediante  resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas que afirma: “O tráfico de escravos que teve lugar entre os séculos XVI e XIX envolvendo o transporte involuntário de milhões de africanos como escravos, provenientes na maioria da África Ocidental às Amécicas, serviu para enriquecer os poderes imperiais da época.”  (Resolução 61/19)

Durante a última semana de março diversos eventos tiveram lugar na sede da ONU em Nova York.  Nossas Irmãs Bernadette Sullivan e Grace Frances Strauber colaboraram no planejamento do evento realizado pelo Comitê de ONGs para  Eliminar o Racismo, como representantes da nossa ONG, a  “Franciscans International”.

Um assunto importante, levantado pela maioria dos oradores, foi o legado estigmatizador da escravidão.  Os africanos que foram escravizados e expatriados perderam terra e família, religião e tradições culturais.  A profunda ferida causada nos descendentes desses escravos precisa ser reconhecida e recuperada.

Assim, foi levantada a questão das indenizações.  Algumas maneiras possíveis de realizar compensações incluem, antes de tudo, a necessidade de fazer a sociedade ocidental reconhecer as cicatrizes que ficaram.  Como diz um antigo provérbio africano: “Até que os leões aprendam a contar a história, os caçadores só irão contá-la do lado deles!”  Outros meios de indenizar os descendentes dos escravos seria oferecer meios e maiores oportunidades educativas aos mesmos mediante a inclusão do ensino da história da escravidão nas escolas e sobre as inúmeras contribuições culturais e históricas dos afro-americanos e dos seus ancestrais.  Sabemos bem quem eles são e de onde seus antepassados vieram.

Representantes de governos nacionais reconheceram que, infelizmente, a prática da escravização continua em muitos países, além de se manifestar em trabalhos forçados e do tráfico de pessoas, sobretudo mulheres e crianças, bem como em todas as condições de extrema pobreza.

Irmã Tiziana Longhitano e a Afiliada Thomasina Nolan também compareceram à celebração.

A pedido, poderei oferecer um relatório mais detalhado sobre o assunto a qualquer pessoa que estiver interessada.

Irmã Bernadette Sullivan, SFP


Recursos para se obter maiores informações:

Estudo:

“A Rota do Escravo” é um estudo realizado pela UNESCO a partir de 1994 que descreve as viagens dos navios negreiros da África para as Américas do século XVI ao XIX.  Para apreciar essa importante contribuição, basta visitar o link em formato Adobe pdf: http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001465/146546por.pdf

 

Filmes:

“Amistad” (1997)  – filme de Steven Spielberg baseado em um evento real –  a incrível rebelião dos africanos escravizados que se apoderaram do controle do navio negreiro “La Amistad” para tentar retornar à África.

“Tutu and Franklin: A Journey Towards Peace” (2001) – Video Documentário de Renée Poussaint  sobre a visita do Arcebispo da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, juntamente com o historiador, Dr. John Hope Franklin, numa visita à Ilha de Gorée, no Senegal, o histórico  centro do infame comércio de escravos,  acompanhando um grupo de estudantes secundários.

“The Amazing Grace of Freedom” (2007) – Filme de Michael Apted sobre a fé inspiradora de William Wilberforce, parlamentar inglês do século XVIII  que se opôs aos mais poderosos, inclusive o rei, para acabar com a escravidão no império britânico e autor do hino “Amazing Grace”.

Amandla, about South Africa’s struggle vs. Apartheid.

“Amandla! A Revolution in Four Part Harmony”  (2003) – Video Documentário de Lee Hirsch sobre a importância da música na luta contra o apartheid na África do Sul.

Livros:

The Night that Man Died – de Primla Gobodo Mazikela, professor da Universidade de Capetown e membro da Comissão Verdade e Reconciliação da África do Sul.

Complicity – de Jennifer Frank, que demonstra como o norte dos Estados Unidos, que se opunha à escravidão prevalente no sul do país, na verdade tirou grande proveito da mesma.

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