FRATERNIDADE E DEFESA DA VIDA

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Irmã Maria Lúcia Barbosa de Oliveira, SFP

A defesa da vida que Campanha da Fraternidade da última Quaresma  nos levou a refletir e rezar, tem sua força e seu fundamento na morte e ressurreição de Jesus.  Precisamos defender e escolher, isto é, acolher a vida, que nasce da grandeza do Reino da Esperança com que cada pessoa humana foi revestida.  E essa grandeza é intocável, especialmente quando há um propósito de manipular embriões humanos para experimentos científicos. O Reino da Esperança dá também um novo sentido a todo o universo, abrindo os nossos olhos e despertando-nos para defender, escolher e acolher a vida como parte do meio ambiente.  Tendo celebrado a Páscoa do Senhor podemos agora com maior disponibilidade e liberdade, proclamar: “Escolhe, pois, a vida!” isto é: “Acolhe, pois, a vida!”
           
Assistimos todos os dias a degradação da vida causada pela irresponsabilidade do homem.  Ele quer tomar o papel de Deus, deixar nascer quem ele quer e mata os que são indesejáveis a partir do seu ponto de vista, além da degradação maciça da natureza.

O Concílio Vaticano II já condenava como infame tudo quanto se opõe a vida.  Trinta anos depois, na encíclica Evangelium Vitae, João Paulo II constatou que as ameaças à vida pareciam estar aumentando. Com o avanço da mentalidade individualista e utilitarista e com o desenvolvimento da ciência e da técnica, novas violações à vida passaram a ser praticadas como também vão deixando de ser consideradas ilícitas, sendo até mesmo amparadas pelo Estado, concluiu o Papa.

Ainda que todas as ameaças à vida devam ser permanentemente combatidas, a expressão “defesa da vida” vem sendo utilizada para designar a luta contra essas ameaças especificas, que parecem turvar a própria percepção do valor da vida humana, do bem e do mal, do certo e do errado.  Não enfrentá-las implicaria em perder a capacidade de reconhecer os valores fundamentais que nos movem na luta contra todas as demais formas de agressão à vida e à pessoa humana, tais como as decorrentes da pobreza, da violência, da guerra, da poluição, do desmatamento etc.

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Reafirmando a caminhada da Igreja em defesa da vida e da pessoa humana, o texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (inaugurada pelo Papa Bento XVI) nos lembra que a nossa fé não pode ser reduzida a normas e proibições e que somos hoje chamados a “. . . escolher entre os caminhos escolher entre os caminhos que conduzem à vida ou os caminhos que conduzem à morte” (cf. Deuteronômio 30,15).  Caminhos de morte são os que levam a dilapidar os bens que recebemos de Deus através daqueles que nos precederam na fé.  Os caminhos de vida verdadeira e plena para todos, os caminhos de vida eterna, são aqueles abertos pela fé e que conduzem à plenitude da vida que Cristo nos trouxe”  (Documento de Aparecida, 2007).

Esse documento afirma que a América Latina é o continente que possui a maior biodiversidade do planeta, além de uma rica sócio-diversidade, representada por seus povos e culturas.  Estes possuem um grande acervo de conhecimentos tradicionais sobre a utilização dos recursos naturais, assim como sobre o valor medicinal de plantas e sobre o cuidado de outros organismos vivos que constituem a base de sua economia.  Sabem também usar a terra com sabedoria, sem desgastá-la.

Até os dias de hoje muitos povos indígenas continuam lutando pelo reconhecimento de suas terras.  Eu mesma participei muitas vezes dessas lutas, quando ainda residia entre os povos indígenas do Mato Grosso.  O governo Lula trouxe muitas expectativas e esperanças para eles, mas infelizmente os anos vão se passando e nada está acontecendo de concreto que os ajude a assegurar suas terras.

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O atentado à vida desses povos está  nas decisões que se tomam sobre as riquezas da biodiversidade e da natureza das quais eles são praticamente excluídos e sendo até mesmo empurrados para fora de suas terras pelas grandes empresas multinacionais.  A terra está sendo degradada, as águas estão sendo tratadas como se fossem mercadoria negociável pelas empresas, alem de terem sido transformadas num bem disputado pelas grandes potências. 

Exemplo muito importante nessa situação é a Amazônia.  O papa Bento XVI, na sua visita ao Brasil no ano passado, chamou a atenção dos jovens sobre esta questão, para que eles tenham maior compromisso e ocupem os espaços de ação:  “A devastação ambiental da Amazônia e as ameaças à dignidade de suas populações requerem um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação do que a sociedade tende a reconhecer”.

Mediante tudo isto, não podemos ficar caladas nem de braços cruzados, acredito que Deus quando nos criou nos deu uma missão, e a hora é esta, vamos pois à luta.