Estamos gratos à Ir. Clare Nolan, RSG, e à Ir. Jean Schafer, SDS, por nos autorizar a usar o artigo da Ir. Clare, que foi publicado em “Stop Trafficking” [Acabemos com o Tráfico], na edição de 5 de novembro de 2003, Vol. 1, No. 3.

Em gratidão: Também recebemos autorização para usar o título “Stop Trafficking” da Ir. Jean Schafer. Este material é protegido por direitos autorais.

 

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TRÁFICO HUMANO


"Analisando o Tráfico Humano: da
'Conscientização' à 'Ação
'”


O chamado de 2001 da União Internacional de Superiores Gerais (UISG - International Union of Superiors General), da Conferência das Líderes das Mulheres Religiosas (LCWR - Leadership Conference of Women Religious) e da Conferência dos Superiores Gerais dos Homens (CMSM - Conference of Major Superiors of Men) – para tratarmos da questão do tráfico de muheres tem sido tomado a sério nos Estados Unidos. Muitas congregações buscaram instruir seus membros e aumentar sua consciência do abominável tráfico internacional de mulheres para a servidão e a prostituição.

Além desse chamado, os principais meios de comunicação no País têm tocado no assunto, como a revista National Geographic Magazine que publicou um artigo sobre Escravos do Século XXI em seu número de Setembro de 2003 e os canais de televisão subvencionados pelo público (Public Broadcastings' Wide-Angle) levaram ao ar uma hora inteira sobre o tráfico humano na última semana desse mesmo mês no qual, dirigindo-se à 58 Assembléia Geral da ONU, também o Presidente dos Estados Unidos denunciou o problema.

Também a revista do jornal The New York Times de 25 de janeiro de 2004 publicou um artigo de capa sobre esse tópico. A reclamação geral, no entanto, continua sendo a mesma: "O que podemos fazer?"

Àparte a orientação ativista, creio que precisamos muito de uma análise social e crítica referente a esse tópico. Mas mesmo a louvável atenção da mídia pode camuflar a falta de empenho em decididamente abolir esse tráfico. Como é que, apesar dessa firme tendência a ressaltar o tráfico humano, ele só continua aumentando? Esse fenômeno não tem lugar no vazio. Sem uma clara análise e uma crítica constante, fundamentada na realidade evangélica da preocupação pela justiça social, podemos na verdade deixar de assumir pequenas ações nas esferas do nosso quotidiano que poderiam causar impacto no combate ao tráfico de pessoas.

Penso que seria preciso situar honestamente o sistema do tráfico humano no contexto de desequilíbrio do sistema da globalização econômica e do sistema patriarcal. Somente assim fazendo, a consciência e a preocupação suscitadas pelo tráfico humano serão diretamente conectadas às experiências de todos os dias.

Não é por coincidência que o massivo aumento do tráfico de pessoas tem proporcionalmente acompanhado a fenomenal intensidade da globalização econômica que dá suporte ao consumismo liberal neo-capitalista cuja meta é o lucro imediato e cuja perspectiva é mediada pela ótica dos bens comercializáveis. Até mesmo o salário e o trabalho dificilmente mantém qualquer relação com o ser humano envolvido. Apesar da riqueza sem precedente gerada pela globalização, a população que vive na miséria continua aumentando em todo o mundo, constatando que, entre os pobres, mais de 70% são mulheres.

Paralelamente, o patriarcalismo é um sistema injusto que pervade todas as sociedades pelo mundo afora, mediante o qual o privilégio masculino é favorecido e predomina a ponto de permitir ao homem a prerrogativa sexual de tratar a mulher como objeto. Repetidamente, nos mais variados contextos, o tráfico de mulheres é condenado enquanto que a prostituição é consentid a com uma piscadela e um movimento de cabeça. Mas entre a prostituição e o tráfico para exploração sexual a linha divisória não é nada evidente. São dois pontos no contínuo da degradação e violação da mulher.

Quando essas associações sistêmicas são negligenciadas, acabamos por sentir o contraditório desejo de acabar com o tráfico, continuando porém a aderir aos sistemas operacionais vigentes. Assim, torna-se mais fácil ao governo dos Estados Unidos aplicar cinqüenta milhões de dólares em operações de salvamento das vítimas desse comércio do que "ligar os pontos" entre o uso militar da prostituição e o tráfico. Assim sendo, é fácil denunciá-lo sem referir-se ao aumento da pobreza no mundo que torna as mulheres mais vulneráveis a ele. Pelo segundo ano em seguida, a pobreza está aumentando nos Estados Unidos. Tal situação alicerça a suscetibilidade das jovens à prostituição, tornando-as mais susceptíveis ao tráfico tanto interno como internacional.

E mesmo em nossos próprios meios é mais popular — e fácil — condenar o tráfico (como se fosse algo distante!) do que desafiar alguém que, como sabemos, poderia considerar empregar mulheres na prostituição. É mais fácil condenar o tráfico do que lançar uma campanha a nível local para abolir os anúncios publicitários que apresentam as mulheres como bens de consumo. É mais fácil aceitar passivamente nossos sistemas militares que "nos protegem contra o terrorismo" do que investigar seus regulamentos e comportamento relacionados à exploração da mulher.

Assim, antes de nos precipitarmos em responder à pergunta: "O que podemos fazer?", eu gostaria de reformulá-la: "O que estamos fazendo?" O que estamos fazendo em relação ao suporte que estamos dando a sistemas que sustentam a essa depravação tão grave que é o tráfico humano. Antes de agirmos contra esse mal, precisamos resistir o tipo de sistema econômico global que empobrece a mulher, bem como as crianças. Devemos nos opor com ousadia às maneiras pelas quais é permitido aos homens exercer domínio sobre as mulheres. Temos de nos dissociar dos benefícios da globalização e do patriarcalismo. Só então poderemos juntos lidar com os termos mais específicos da questão: "O que podemos fazer para acabar com o tráfico humano?"

                                       - Clare Nolan, Representante da ONG das Irmãs do Bom Pastor com Status
                                         de Consulta Especial (ECOSOC) junto à Organização das Nações Unidas

Coalizão das Organizações Católicas Contra o Tráfico Humano

A Coalizão das Organizações Católicas Contra o Tráfico Humano é constituída de grupos católicos nacionais e internacionais em ação pela abolição do flagelo que é o tráfico de pessoa. Os objetivos principais da Coalizão são os seguintes:

btn.gif (419 bytes) Formular planos para combater o tráfico humano e dar assistência às suas vítimas;
btn.gif (419 bytes) Promover a implementação de serviços às vítimas do tráfico humano em esforços no sentido de
   capacitá-las;
btn.gif (419 bytes) Abrir diálogo com autoridades governamentais e outras pessoas engajadas na promulgação de
   regulamentos públicos que afetam este assunto;
btn.gif (419 bytes) Elaborar estratégias de educação pública, de conscientização e de ação popular.


Se desejar obter maiores informações sobre a Coalizão das Organizações
Católicas Contra o Tráfico Humano, queira contactar:
Mary Ellen Dougherty, SSND
tel: 202-541-3256
e-mail: MDougherty@usccb.org ou srstvics@usccb.org

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