Ecologia e Espiritualidade: A Comunidade da Vida

Irmã Tiziana Longhitano, SFP

A Terra é como uma casa grande onde habitam todas as espécies, de maneira ampla e variada: a comunidade da vida.  Há um relacionamento existencial entre os animais, as plantas, os minerais, a água e os seres individuais.  O meio ambiente .é constituído de tudo aquilo que nos rodeia, mas nós também fazemos parte desse círculo vital.  Esse é o significado profundo da ciência da ecologia: estudar o meio que nos permite viver.

As Irmãs Bernadette Sullivan e Tiziana Longhitano foram ver as cerejeiras em flor no Jardim Botânico de Brooklyn.

Como seres humanos, compreendemos a dinâmica da natureza ao ponto de conseguirmos exercer um certo controle sobre ela.  Graças à tecnologia, a natureza foi se tornando gradualmente objeto de manipulações, chegando a uma compreensão interesseira dos recursos naturais.  Negligenciamos assim o fato de sermos criaturas integradas ao mundo natural.  Mas à medida que tornamos o nosso meio cada vez mais artificial, verificamos que, de maneira geral, estamos empobrecendo enquanto seres humanos.  Com isso, a idéia da auto-realização e da busca da felicidade individual mudam drasticamente. Atualmente reconhecemos que está havendo uma degradação do ser humano, uma desumanização, como se a natureza estivesse rechaçando a si mesma.  A crise pela qual está passando a natureza é também uma crise antropológica.  Concerne a espécie humana porque os problemas ambientais são causados pelas opções e ações da nossa sociedade. Felizmente, porém é o ser humano quem pode assumir a solução desses problemas.  “Sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente.  E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente suspirando pela redenção do nosso corpo.”   (Romanos 8: 22-23)

Tornar-nos instrumentos de paz num mundo ferido por falta de respeito ao próximo não é somente  um desafio que precisamos assumir, como é também o nosso sonho mais cheio de esperança.  Paz na terra, paz em nossas relações, paz interior: é isso o que esperamos. Esse é o nosso empenho enquanto filhas e filhos do Deus da Paz.  No espírito dos nossos fundadores, podemos encontrar a possibilidade de viver profeticamente como testemunhas do nosso tempo, considerando-nos a nós mesmos como seres vivos em meio à comunidade da vida, nas múltiplas interconexões que nos vinculam uns aos outros.

Irmã Tiziana e outras pessoas amigas
no Jardim Botânico.

Seguimos o exemplo de muitos santos que, em contato com a natureza, despertaram sua criatividade não somente em si mesmos, como também no próximo.   São Francisco de Assis e São Serafim de Sarov foram testemunhas dessa conexão espiritual entre o ser humano e a natureza que acabou por conduzi-los a Deus, assim como muitos outros seus seguidores, por terem elevado cada criatura a um altíssimo nível de incandescência.

Entre nossos fundadores atuais temos Chiara Lubich, do Movimento Focolare, que relacionou o início da obra que Deus lhe havia confiado usando imagens místicas observadas na natureza.  Nossos fundadorees nos dizem que não há existência verdadeira e realizada somente em nós mesmos, mas sim no cultivo de relações que abracem a natureza, cuja última meta, de acordo com as Sagradas Escrituras, é “entrar no repouso de Deus”. A natureza está presente na nossa caminhada em direção à realização e se torna nossa companheira de viagem.  Deus nos deu a conhecer “ o mistério da sua vontade, conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar, para levar o tempo à sua plenitude: a de recapitular em Cristo todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra.” (Efésios 1, 9-10).   A natureza deixa um sinal fundamental em cada relacionamento, intervindo na nossa relação com Deus, nutrindo a vida espiritual de pessoas vivendo num determinado lugar, cultivando a arte e a ciência, promovendo técnicas diferentes e inovadoras que ajudem a tornar a Terra um lar magnífico e acolhedor.

Irmã Tiziana Longhitano diante da Unisfera, em Queens (Nova York), símbolo da Feira Mundial de 1964, cujo tema, “Paz Mediante a Compreensão”, representava o tema da interdependência global.

Será que estamos dispostos  a exercer nossa responsabilidade pessoal para curar as chagas da nossa mãe, a Irmã Terra?

Será que estamos dispostos  a mudar nossos hábitos para diminuir o superaquecimento global que ameaça todas as formas de vida no planeta? Como podemos ensinar outras pessoas a amar a natureza e a preservá-la para que seus limitados recursos sejam usados para preservar todas as formas de vida e não para meramente satisfazer nossos anseios materiais?

 

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