Diário de Dumaguete
Vol. III, No. 1

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Queridas Irmãs, caros Afiliados, parentes e amigos,

Finalmente voltamos a escrever, depois de um longo tempo. Mas vocês nunca estão distantes  do nosso pensamento, amor e orações.

Depois das nossas férias e visitas aos nossos familiares, recomeçamos a vida nas Filipinas no mesmo ritmo acelerado e fazendo as profundas experiências de sempre.  Como já estão sabendo, Dumaguete é “a cidade onde não se dorme nunca porque se está sempre comemorando alguma coisa”.

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Tijolo por Tijolo, uma Grande Casa é Construída
A eleição do novo Presidente das Filipinas, o Sr. Benigno Simeon Aquino III, (apelidado de “Noy”), ocorrida em maio de 2010, parece ter sido bastante positiva, mas há inúmeros desafios e problemas a enfrentar na sociedade filipina.  Ás vezes parece até que estão aumentando em vez de diminuirem.

Procuramos contribuir com o nosso “tijolinho”, como diz a canção italiana: “tijolo por tijolo uma grande casa é construída”.   Mas o nosso desejo é partilhar sobre a nossa vida com vocês.  Por isso lhes mandamos agora alguns exemplos desses nossos “tijolinhos”:

Estamos convencidas de que um dos modos de vencer a pobreza é a educação e por esse motivo procuramos enviar o maior número possível de crianças à escola .  E foi por isso mesmo que respondemos “sim” quando vieram nos pedir para irmos ajudar uma esola nas montanhas com cerca de 200 alunos. Irmã Maria partilha sua experiência:

Chegamos à cidadezinha de Bayawan e continuamos de motocicleta, por três quilômetros, montanha acima.  As crianças e suas famílias nos aguardavam.  Fomos recebidas com calorosas boas-vindas. Foi comovente ver essas crianças tão bem comportadas e atentas durante a nossa saudação, ansiosas por ouvirem a história da minha vocação.  Distribuímos o nosso pacote de presentes:  sandálias havaianas e material escolar como lápis, canetas, lápis de cor e cadernos.  Para muitos, as sandalinhas são imprescindíveis para poderem ir à escola que fica há varios quilômetros de onde moram.  A gratidão, a alegria e o excitamento das crianças eram claramente visíveis.

“Senhor, que eu possa ver novamente...”
Rustica Vilas, uma senhora de 55 anos, mãe de seis filhos, havia perdido uma vista por quatro anos devido à catarata, porque não dispunha de meios para consultar um oftalmologista.  Cada vez que me encontrava com Rustica, seus olhos me pareciam mais fechados.  Certo dia, uma amiga dela me parou na rua e, com lágrimas nos olhos, implorou-me que fizesse alguma coisa, explicando-me que sua amiga estava correndo o perigo de perder a outra vista.  Decidimos com ela que deveria ser examinada pelo meu oftalmologista, o Dr. Jabines Donovant T.

E acabamos competindo em generosidade!  O Dr. Donovant se recusou a ser pago pela consulta. Sugeriu que Rustica fosse operada imediatamente e nos disse o dia em que faria a cirurgia sem cobrar nada.  Ela somente teria de pagar pelas lentes a serem implantadas e pela sala cirúrgica.  Assim, com euros que obtivemos em doação de um amigo da Itália, conseguimos que a cirurgia fosse realizada.  Depois de operada, Rustica voltou a ter uma vida normal, cheia de alegria.  Em seguida, recebemos uma carta de seu marido, Precioso Vilas, dizendo:

“Nos sentimos agradecidos a Deus, que usou Irmã Cristina como um instrumento para encontrar ajuda para minha mulher.  Nos sentimos abençoados e amados por Deus quando a Irmã nos contou que podíamos começar a verificar se ela poderia fazer a operação.  Agora minha mulher consegue enxergar novamente.  Infelizmente, meu pequeno salário cobre somente nossas necessidades diárias e eu nunca teria podido pagar o custo da cirurgia.  Em meu nome e em nome de minha família, quero agradecer do fundo do coração à comuniddade das Irmãs Franciscanas dos Pobres que foi para nós um instrumento de tão grande generosidade e amor.”

Restaurar uma Casa, Restaurar a Dignidade
Em julho tivemos chuvas torrenciais e Rosalinda Inoferio, uma das nossas voluntárias, viúva, perdeu parte de sua casinha feita de bambu.  Depois de ir visitá-la, decidimos ajudar Rosalinda a restaurá-la.  Em troca, Rosalinda tem nos ajudado passando roupa.  Dessa maneira a ajuda se torna um ritual e com isso evitamos criar dependência.  Rosalinda nos disse:

“Mesmo morando sozinha me sinto feliz porque estou envolvida no Programa Abrigo da Esperança das Irmãs Franciscanas dos Pobres.  Sou agradecida a Deus por ter encontrado Irmã Cristina e as Irmãs e por ter estado participando como voluntária desde 14 de dezembro de 2009.  As Irmãs vieram me visitar e viram que a minha cozinha havia ficado completamente destruída.  Elas me ajudaram a reconstruí-la e agora estou realmente contente por ter uma pequena cozinha tão boa!  Posso cozinhar para mim mesma.  Fico agradecida às Irmãs Cristina, Maria  e Armida pela sua ajuda e pelo seu amor."

Concentrada nas palavras de Jesus: "Estive doente e me visitaste...”
Conseguimos salvar a vida de Eddy Boy, um menino de rua de quinze anos, levando-o para um hospital.  Precisou ficar internado por mais de uma semana.  Pagamos todas as despesas hospitalares, porque o governo cobre somente os custos de internação, ficando por conta do paciente trazer tudo o mais, inclusive lençóis e sobretudo os medicamentos.  Ainda bem que ele não havia sido infectado pelo mosquito da dengue, que poderia ter sido fatal. Eddy Boy precisou ser alimentado por sonda durante sete dias.  Muitos na condição dele acabam morrendo, especialmente durante a estação chuvosa, porque não têm meios de pagar o hospital e muito menos os remédios.  Depois de acompanhar de perto esse jovem, este foi o relato de Irmã Maria:

Certa manhã, por voltas da liturgia das 6,  Eddy chegou ao nosso centro ardendo em febre. Tentei cuidar dele, mas começou a vomitar e decidi levá-lo para o pronto socorro.  Depois de vários testes, colocaram uma bolsa de gelo sobre sua cabeça e o alimentaram com soro por via intravenosa.  Examinaram e diagnosticaram livre de dengue, mas com graves infecções renais e intestinais.  E não é para menos: Eddy é um dos muitos jovens que vivem de chafurdar no lixo em busca de algo para comer, onde acabam contraindo todo tipo de viroses.  Cuidar de Eddy não ia ficar  barato e por isso decidimos envolver a assistência social, um empreendimento nada fácil. Graças a Deus, consegui um pequeno reembolso.  Aproveitei para enfatizar entre as agências de serviço social que precisam se conscientizar melhor das condições deploráveis desses meninos de rua.  São essas experiências que me levam a me aferrar ao momento presente, concentrada nas palavras de Jesus: “Estive doente e vieste visitar-me .”

São estes alguns destaques dos muitos acontecimentos que encontramos tempo de relatar quando o ritmo de trabalho diário desacelera um pouco.  Nossos dias são muito cheios de acontecimentos inesperados e emergências.

Ainda bem que estamos cercadas de pessoas de boa vontade, dispostas a voluntariar seu tempo para nos ajudar

[Clicar aqui para ouvir relatos na voz dos nossos voluntários.]

Vocês estão sempre no nosso coração e nos lembramos de vocês em nossas orações todos os dias.  Ficamos agradecidas pelo seu amor, pelas suas orações e pelo seu suporte que vocês nos oferecem de tantas maneiras.  Com vocês, acreditamos que o sofrimento seja o “capital” mais precioso com o qual construirmos as obras de Deus.

Com amor e gratidão,

Irmã Cristina Di Nocco
Irmã Maria Atorino
Irmã Armida Sison

Nosso endereço de e-mail é:
sfp.cristina@gmail.com

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