Diário de Dumaguete
Vol. III, No. 3
Dumaguete, de maio de 2011
Queridas Irmãs e caros Afiliados, amigos e parentes, Os dramáticos eventos que ocorreram no Japão e afetaram toda a Ásia durante as últimas semanas impeliram a inteira humanidade a enfrentar essa emergência tornando-se uma família mais compassiva e unida. O Japão e as dezenove províncias das Ilhas Filipinas e outras ilhas do Pacífico atingidas primeiro pelo maremoto e depois pela nuvem radioativa clamam por ajuda para superar esse terrível desastre e recuperar as forças para reconstruir, e especialmente para se recobrar dos traumas psicológico, social e ético. Os desastres naturais, as guerras antigas e recentes, nos advertem que o mundo e a própria criação estão precisando de uma cura que possa trazer justiça e paz aos corações humanos, e entre povos e as nações. Muitos de vocês entraram em contato conosco com carinho e preocupação, pedindo notícias sobre como estamos passando e sobre o meio ambiente. Agradecemos imensamente a todos! Também desta vez fomos poupadas e, graças a Deus, estamos bem. Gostamos da idéia de pensar sobre a nossa presença de cura aqui em Dumaguete City como uma construção em que vamos assentando um tijolo depois do outro. Enviamos a seguir alguns destaques sobre as experiências que fizemos... Com Esperança e Alegria Celebramos o Primeiro Aniversário da nossa Missão As crianças de rua e os adultos sem morada fixa que servimos chegaram cedo para poderem tomar um banho e vestir roupas novas e novas sandálias de dedo que havíamos reservado especialmente para essa ocasião. Um grupo de crianças recebeu também camisetas brancas da Cruz Vermelha de Brooklyn, NY, enviadas pelas nossas amigas Elena e Melissa. Vocês deveriam só ver o orgulho e a alegria deles todos ao vestirem as novas camisetas! O almoço, farto e delicioso, foi quase inteiramente doado por duas pessoas amigas e incluíam dois leitõezinhos novos (“lechón de leche”) deliciosamente preparados à moda filipina. Aliás, não há celebração por aqui sem esse famoso “lechón de leche” e o macarrão chinês “pancit”, sinais dos melhores votos. É com prazer que podemos dizer que a presença de Deus e do seu amor pelos mais pobrezinhos e vulneráveis continua a repetir o milagre evangélico da multiplicação dos pães e dos peixes entre nós.
Ainda em dezembro tivemos a oportunidade de ir visitar, juntamente com nossa amiga Helena Du, o vilarejo de Dawis, nas montanhas, um lugar extremamente pobre. Levamos um jantar de Natal para as 250 crianças da paróquia e um presentinho para cada uma. Como ficaram felizes com esse simples Natal! Depois do jantar, quando abriram seus presentinhos, seus rostos estavam radiantes de alegria. Quase todas são crianças dos “saccada” que trabalham nas lavouras de cana de açúcar, um trabalho árduo e mal pago. Para nós, recém-chegadas neste País, essa experiência foi muito forte e comovente. Mais uma vez nos sentimos impelidas a clamar contra as injustiças que são uma ofensa a Deus e às suas criaturas. Em janeiro, notamos que o número das pessoas que vêm até nós está aumentando. Contamos de 65-70 pessoas, entre crianças e adultos, diariamente. O que mais nos entristeceu foi a notícia de que muitas das crianças, depois das férias do Natal, não poderiam continuar indo à escola. Por que? perguntamos. Pelos motivos mais óbvios: não têm calçados, os pais não têm como comprar material escolar e há falta de comida. O que poderíamos fazer numa situação dessas? Nos sentimos tão impotentes! A coisa mais triste é que essas crianças não têm famílias bem estruturadas, o que é muito grave e complexo. No final do ano letivo, muitas delas já “estão de férias”. É grande a nossa esperança de que, quando as escolas se reabrirem, no mês de junho, tenhamos condições de estabelecer um sistema eficiente de suporte para todo o ano escolar.
Depois, Chiny voltou a ir morar com sua mãe, mas continua vindo ao nosso Centro com seu novo bebê, John Yvon que, ao nascer, pesava menos de dois quilos e, uma semana depois, pesava menos ainda. A situação era tão precária que Chiny e o bebê não tiveram alta da maternidade por falta de dinheiro. Fomos até lá cheias de fé e coragem e conseguimos sair com ela e o bebê. Agora, Chiny tem vindo nos ajudar e está ensinando as crianças maiores a lavar suas próprias roupas. Está ganhando um dinheirinho e se alimentando melhor. Aqui vai o relato que ela redigiu sobre a sua experiência: “Fiquei tão contente em poder vir para o Abrigo da Esperança! Estava sofrendo muito e me sentindo sozinha e abandonada. Agora, estou contente, passando um tempo por aqui ajudando os outros que são menos favorecidos. Estou também conseguindo ajudar meu bebê a crescer e fico muito feliz em ver que John Michael também está bem melhor, embora nos entristeça que ele precise ficar longe de mim, no orfanato. “Trabalhar em tempo parcial no Abrigo da Esperança tem me permitido ganhar um dinheirinho para pagar pela minha comida. Antes, ficava muitas vezes sem ter o que comer. Agora, me sinto muito agradecida às Irmãs pela alimentação e pela oportunidade que me deram de poder trabalhar. Às vezes, também uma vizinha tem me oferecido algo para comer. Tudo o que eu quero é ser capaz de viver e que meus filhos também o consigam.”
Nossos queridos, recebam um grande abraço e toda a nossa gratidão. Vocês estão no nosso coração e em nossas orações, todos os dias, juntamente aos seus caros, vivos e falecidos. Queiram se lembrar sempre de nós no seu dia a dia. Com todo amor e respeito, |
|









