Irmã Marilyn Fischer, SFP: Agora Ela Sabe – Um Tributo
Depois do anoitecer, naquela segunda-feira, 9 de maio de 2011, estava me preparando para um mini-retiro do Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos quando o telefone tocou. Ao atender, não soube dizer se havia alguém do outro lado da linha. Daí ouvi uma voz que, chorando, me dizia: "Grace Frances, aqui é Joanne. Marilyn faleceu." Respondi: “Como, faleceu? O que foi que aconteceu? Falei com ela ainda ontem... ou será que foi sábado?" Apesar de inacreditável, a mensagem era a pura verdade. Não havia dúvida na tristeza da voz de Joanne. Sem saber o que pensar ou fazer, liguei para a nossa comunidade local, a Hope Community. Respondeu Irmã Theresa Calviello. Irmã Bernadette não estava em casa. Liguei para Irmã Pauline e para Irmã Maria e pedi a elas que se comunicassem com as Irmãs em Warwick e em Nova Jersey. Quando finalmente me acalmei o suficiente para aceitar aquela mensagem, a experiência que fiz foi esta: senti que realmente estava ciente de uma morte, da morte de Marilyn! Era uma experiência que eunão podia negar, porque continuava pensando “Agora ela sabe!” O que é que isso queria dizer? “Agora ela sabe...” Daí lembrei-me de todas as vezes que eu, ela e Irmã Joanne discutíamos alguma coisa que havíamos lido e nos perguntávamos como seria o nosso encontro com Deus. Há tantas coisas maravilhosas que os teólogos comentaram sobre o Deus Vivo que tanto nos comovia! Esses pensamentos trouxeram-me um sorriso aos lábios. Depois, voltaram-me à mente todas as nossas preocupações com ela durante os últimos seis ou sete meses. A nova Comunidade da Esperança, a hospitalização de Marilyn por mais de seis semanas e o fato dela ter podido deixar o hospital por quatro meses e meio e, depois, de ter recebido alta na véspera do Natal. Planejamos um jantar de Natal encomendado de um restaurante local recomendado pelas Irmãs de Madre Cabrini, realmente delicioso. Irmãs Tiziana e Marilyn Trowbridge vieram juntar-se a nós, juntamente com algumas outras pessoas. Foi um dia maravilhoso. Marilyn parecia muito bem, considerando tudo o que havia passado. Os membros da Comunidade da Esperança (as Irmãs Theresa, Bernadette, Mariapia Iammarino, Marilyn Fischer, eu e a Afiliada Thomasina Nolan) sempre tivemos momentos extraordinários juntas, enquanto comunidade, discutindo o chamado do Capítulo a espalharmos sementes de compaixão e esperança. Havíamos inclusive planejado discutir o número mais recente de "Conversações" na reunião marcada para o dia 13 de maio. Mas agora... Marilyn já sabia de tudo! Costumávamos comemorar juntas os nossos aniversários e realmente havíamos comemorado os de Theresa, Thomasina e Licia apenas uma semana antes! Também a nossa Páscoa havia sido realmente especial. Quatro de nós havíamos ido à Celebração Eucarística na Paróquia de São Francisco Xavier. À liturgia, que foi, absolutamente, um momento de Ressurreição, seguiu-se um almoço no quarto de Marilyn, encomendado do mesmo restaurante de antes. As Irmãs Tiziana, Marilyn Trowbridge, Licia, Mary Jo e Teresita se juntaram a nós e passamos uma longa tarde conversando, até o anoitecer. |
Nossa próxima festa deveria ter sido o aniversário de 75 anos de Marilyn, no dia 22 de maio. Era precisamente sobre isso que Marilyn e eu conversamos no sábado, 7 de maio. Agora, nos apegamos às maravilhosas lembranças daquele último período, muito feliz, de quatro meses e meio, que passamos juntas. Repassamos juntas a vida inteira de Cristo desde o Natal até a Páscoa e até a terceira semana depois da Páscoa. Marilyn sorria sempre, alegre e em paz durante todos aqueles meses. É verdade que, fisicamente, teve seus altos e baixos. Sua última luta foi tentar regular um medicamento que estava tomando, fora o fato que ainda estava se recuperando da cirurgia. Mas se sentia feliz por estar viva e poder desfrutar aqueles dias bonitos de primavera, nossa amizade e seu profundo relacionamento com Deus. O fato de tudo ter se passado tão rapidamente parece indicar que ela estava mesmo pronta para partir, o que talvez explique a sua alegria, calma e serenidade nestes últimos quatro meses e meio.
A Liturgia da sua despedida foi um momento de Páscoa para nós. O sol brilhava, a capela das Irmãs de Madre Cabrini, nossas recepcionistas, estava cheia de flores; ouvimos música ao vivo e as belas palavras que foram ditas em sua memória, com grande dignidade entre os presentes à cerimônia e uma recepção no sexto andar do convento, entre pessoas amigas que conviveram com Marilyn nos muitos ministérios que assumiu durante todos estes anos na área de Nova York. Assim, partilhamos muito comovidos e com grande paz sobre a nossa caminhada com ela, e todas as boas lembranças.
Lembro-me dela como uma mulher de grande dignidade que tanto apreciamos. Possamos nós também um dia agradecer a Deus uns pelos outros e pela vida que tivemos juntos. Possamos apreciar nossas qualidades, conscientes de que ninguém ainda é perfeito até nosso encontro com Deus, mas que ainda assim somos um belo presente do Senhor, ainda em formação.
"Os franciscanos são pessoas de encarnação", disse-nos o pregador na sua homilia. Que assim seja, de fato, na nossa vida. Obrigada, Senhor, pelo teu grande amor por nós!
Irmã Grace Frances Strauber, SFP
