
Rose C. Aleman, Coordenadora dos
No dia 1º de março, o Circo Ringling Brothers – que se considera “o maior espetáculo da terra” – apresentou-se no Centro Cultural do Banco de Kentucky, que fica no campus da Universidade do Norte de Kentucky. Há anos esse famoso circo tem aparecido como sendo infame nos noticiários, porque um processo impetrado contra ele, no ano 2000, em nome dos elefantes, finalmente foi aberto à audiência pública no Tribunal Federal de Nova York. Esse processo, proposto em juízo como demanda por uma coalizão de grupos de defesa do bem-estar dos animais, alega que os elefantes do Circo Ringling Brothers são habitualmente maltratados com ganchos de metal (chamados "bull hooks" ou seja, “lanças de tourada”), além de chicotes e aguilhões eletrificados.
A maior parte dos nossos cartazes se tornava ilegível àquela distância, mas ao menos tínhamos duas faixas em branco e preto que podiam ser lidas de longe, e assim continuamos o nosso protesto – desculpem, a “manifestação” – com renovado vigor. Foi ótimo quando três estudantes universitários (membros da PeTA – Pessoas pelo Tratamento ético de Animais) vieram se juntar a nós, aumentando de 50% o nosso grupo e diminuindo a média etária entre nós, porque até então eu era a única com menos de 65 anos! Num outro lance interessante, os responsáveis pela manutenção da Arena resolveram nos mandar um chocolate quente, talvez se sentindo culpados por terem “enjaulado” as freiras ... Seja como for, foi ótima a manifestação, apesar de ter levado três horas, literalmente, até parar de termer de frio.
Não sei se existe algum jeito “correto” de usar animais como entretenimento. Mas certamente conheço muito bem o modo INJUSTO: espancando, dando choques elétricos, acorrentando os animais 95% do tempo, separando elefantes – que são seres altamente sociais e sensíveis – do resto de seu bando, arrebatando de suas mães os filhotes ainda pequenos ... Não pode haver desculpa para esse tratamento desumano numa sociedade que se diz civilizada. Pesquisando sobre o assunto, cheguei à conclusão que usar animais no circo é uma prática antiquada, desnecessária e cruel. Pior ainda, é um “divertimento” que ensina às crianças a mensagem que é aceitável abusar de animais para entreter e fazer dinheiro. E essa não é a mensagem que quero transmitir ao meu filho. NUNCA MAIS iremos a um circo de animais! O elefantinho de plástico do circo caiu FORA da minha casa. Foi parar no meu escritório, onde passou a servir de aviso e de lembrança da minha participação neste protesto. Um dos advogados contratados pelo circo considera a demanda em juízo contra o Circo Ringling Brothers como sendo um “ataque a uma instituição americana” e argumenta: “O que é um circo sem elefantes?” Pois, sim ... Muitas coisas que foram consideradas antigamente como “instituições americanas” agora são ilegais e proibidas – como a segregação racial, por exemplo. Quanto ao “circo sem elefantes”, já existe sim, faz sucesso e é muito divertido: chama-se Cirque du Soleil! © Franciscan Sisters of the Poor |