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VOZES SFP

janeiro/fevereiro 2009
Vol. V, No.1 ©

 

 

“…e Jesus cresceu em idade, sabedoria e graça …”

Queridas Irmãs e Afiliados,

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“Joseph’s Bird Lesson” - David Bonnell

Em cada novo ano, o período litúrgico inicial nos recorda, nas leituras especiais, que Jesus prossegue na sua caminhada temporal, do precioso Menino de Belém ao Homem de Nazaré, o nosso Redentor, impelido pela sua missão.  À medida que começamos mais um ano, percebemos que o tempo não espera por ninguém.  A diferença marcante no caso de Jesus e para cada filho de Deus é que somos impelidos em nossa vida pela sabedoria e pela graça.

Também em nossa Congregação, neste novo ano pós-capitular, desejamos seguir adiante com graça e sabedoria.  Ansiamos por descobrir de maneira mais plena o que realmente significa fazer parte da comunidade da vida.  Para nos tornarmos disponíveis à essência da comunidade da vida, cada um de nós precisa fazer uma pausa de reflexão e ponderar :

– O que significa para mim o conceito da comunidade da vida?
– Qual é a aparência do meu conceito da comunidade da vida?  É  muito amplo?  É desafiador?  É limitante?  É consolador?
– A quem consigo tocar com minhas palavras, ações e atitudes?
– Quem exerce um impacto em minha vida?
– O que é que me dá a força de viver?
– Como quero que minha vida possa criar ou propiciar mais vida para os outros?

Quando nos sentamos em silêncio e deixamos que os nossos pensamentos nos digam alguma coisa, percebemos como é importante a nossa influência para promover o reino de Deus no nosso meio.  Talvez em  reflexão consigamos descobrir a importância de acolher a afinidade que temos entre nós e com todas as criaturas de Deus.  Tendo sido criados à Sua imagem e semelhança, somos estimulados a viver a plenitude da Imagem Divina através de uma transformação permanente.

Todo processo transformador custa um pouco.  A verdadeira transformação requer que reconheçamos todos os pontos de conexão que Deus vai colocando em nossas vidas.  À medida que experimentamos a vida como uma bênção, não podemos deixar de nos maravilhar pelas semelhanças que percebemos ter uns com os outros.  Como verdadeiros parentes uns dos outros, temos sempre a opção de nos unirmos nas nossas similaridades e não de nos dividirmos devido às diferenças existentes entre nós.  Pela graça de Deus, vamos então procurar, neste novo ano, respeitar a afinidade que há entre nós e com a inteira criação, da maneira mais completa.

E ...

 

Como um meio de nutrir esse nosso parentesco, pensamos utilizar o boletim Vozes SFP, em  2009, como um meio de partilhar as nossas experiências vividas através do globo, mediante os temas que reflitam a realidade atual da nossa comunidade da vida SFP.  Em cada número, queremos refletir um tema específico, talvez relacionado aos ministérios, talvez em alguma área de interesse, com a intenção de nos conhecermos melhor uns aos outros e umas às outras, e descobrirmos qual é a nossa identidade enquanto membros da comunidade da vida.

Os temas do boletim Vozes SFP programados para o ano de 2009 são:

Março                  – A Comunidade da Vida e os Círculos de Vida

Abril                     – A Nova Cosmologia

Maio                    – A Família e a Vida Paroquial

Junho                   – Alternativas de Cura

Julho/Agosto       – A Juventude e os Jovens Adultos

Setembro             – O Ministério aos Pobres

Outubro               – Diálogo Ecumênico e Interreligioso / Oportunidades

Novembro            – Defesa dos Direitos

Dezembro            – Reflexões para o Futuro

 


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“Breaking Free” - Sandy Medearis

À medida que vocês forem lendo sobre esses temas talvez possam se identificar pessoalmente com um  ou dois assuntos que mais lhe diga respeito.  Pode ser que, enquanto estiver lendo, venha à sua mente o nome de outra Irmã ou de um Afiliado.  Queremos estimular cada um de vocês a se disponibilizar às sugestões do Espírito e a contribuir, escrevendo artigos ou estimulando outra Irmã ou Afiliado a contribuir com a sua voz à nossa comunidade da vida SFP.
 
Precisamos da SUA SABEDORIA para podermos crescer todos juntos na GRAÇA DE DEUS.  Queiram se manter em contato com a coordenadora das Comunicações em sua Área Geográfica com relação às SUAS contribuições à nossa SABEDORIA e pelo bem da nossa comunidade da vida SFP.

Dedicamos este primeiro número de Vozes SFP de janeiro/fevereiro ao tema da Espiritualidade, uma graça atuante entre nós e através de nós.  Possamos cada um de nós desejar crescer em SABEDORIA e GRAÇA enquanto crescermos no AMOR DE DEUS e no AMOR RECÍPROCO!

Unida na Graça e na Sabedoria,

Marilyn Trowbridge, sfp
Primeira Conselheira


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“São tantas as feridas a sanar, no Senegal…”

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Nossas Irmãs e Afiliados do Senegal, chamados a curar estas feridas

Irmã Anne Claire Kabore, SFP

Se o crescimento espiritual é um meio para nos tornarmos cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo, então o Espírito Santo já começou a agir para nos transformar à sua imagem. O crescimento espiritual é provavelmente melhor descrito na primeira epístola de Pedro: … façam todo o possível para juntar a bondade à fé que vocês têm. À bondade juntem o conhecimento e ao conhecimento, o domínio próprio. Ao domínio próprio juntem a perseverança e à perseverança, a devoção a Deus. A essa devoção, juntem a amizade cristã e à amizade cristã, juntem o amor e façam todo o possível para juntar a bondade à fé que vocês têm. À bondade, juntem o conhecimento e ao conhecimento, o domínio próprio. Ao domínio próprio juntem a perseverança e à perseverança, a devoção a Deus. A essa devoção, juntem a amizade cristã e, à amizade cristã, juntem o amor.” (2 Pedro 1,5-7)

“Gerar compaixão” tem início quando cultivamos relações fraternas entre nós, sendo amáveis uns com os outros, cientes de como podemos ser uma presença de amor que não nos lembre o tempo todo das chagas do passado, mas que ao contrário, tudo endireita por meio da misericórdia.  Finalmente estamos sendo chamados a nos dedicarmos assim como faz a Santíssima Trindade, a nos ofereccermos completamente, sem contar os benefícios que fazemos.  Somente dessa forma seremos capazes de gerar compaixão e esperança na humanidade pobre e sofredora.

photoNa imprensa senegalesa não passa um dia sem alguma notícia de atos de violência a mulheres e crianças.  Essa situação, que está assumindo dimensões cada vez mais alarmantes, é um desafio para todo mundo.  Enquanto o governo procura adotar leis para coibir a violência e punir os responsáveis, nós, as Irmãs Franciscanas dos Pobres do Senegal e nossos Afiliados, optamos por conscientizar as pessoas individual e coletivamente. 

O fórum que organizamos no ano passado em Dakar permitiu-nos compreender melhor as causas do problema e verificar os diversos tipos de violência aos quais as mulheres e as crianças são sujeitas.  Este ano, mais um programa de formação inter-congregational realizado em Mbour,  intitulado “A Luta Contra o Tráfico Humano”, do qual participamos, nos permitiu uma compreensão mais direta desse fenômeno que está aumentando cada vez mais na costa senegalesa.

A origem do tráfico humano, que afeta principalmente mulheres e crianças, está na extrema pobreza do povo e na má interpretação da tradição que confere aos homens o poder de fazer praticamente aquilo que bem entendem com sua mulher e seus filhos.
“São tantas as feridas a sanar, no Senegal…” Nós, Irmãs e Associates, estamos sendo chamados a curar essas feridas nas nossas atividades diárias e assim estamos procurando abordar mulheres e crianças, que são as pessoas mais frágeis da sociedade, procurando devolver a elas a própria dignidade.  Estamos sendo chamados a ouví-las, bem como aos responsáveis pelos abusos que as afligem, para ajudar a todos, compreensivamente.

Nossa luta contra a pobreza gostaríamos de incluir a proposta a essas pessoas de algum tipo de trabalho remunerado que possa mantê-las ocupadas, mais independentes economicamente, e assim, mais responsáveis e mais felizes.  Esperamos que nossa gota de compaixão e esperança, que atinge o coração da humanidade, possa fazer parte da regeneração da inteira comunidade da vida!

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“Nos propiciamos o dom de um tempo extraordinário para dar as boas vindas aos novos chamados de Deus e reconhecer a graça de um novo início.”

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Participantes da Assembléia

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Nossa facilitadora, Dra. Mariella D’Angelica, e and Irmã Giuliana Vitale

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Cinzia e Alice, do Centro Juvenil, com Irmã Jenny Favarin

 

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Um cantinho do Auditório

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Trabalho de Grupo

photoTrabalho de Grupo

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Trabalho de Grupo

 

Irmã  Marina Triglia, sfp

A Assembléia da Área Italiana nos deu uma oportunidade de nos reunirmos enquanto família pela primeira vez depois do Capítulo Geral.  Partilhamos o que teve lugar naquela ocasião, mas também consideramos juntos, Irmãs e Afiliados, o que fazer no futuro.  A atmosfera ainda continha o espírito festivo do Natal, a novidade de algumas das Irmãs sendo transferidas, o desejo de reiniciar o diálogo entre nós enquanto Comunide e família extensa.
 
Nos propiciamos o dom de um tempo extraordinário para dar as boas vindas aos novos chamados de Deus e reconhecer a graça de um novo início.  Tive a sensação que, depois de termos sossegado um pouco com a experiência da nova estrutura, chegou a hora de plantarmos novas sementes.  A atualização dos conteúdos, do método de trabalho, do espírito e das opções assumidas durante o Capítulos nos deram a impressão de termos estado presente e visto o Espírito Santo em ação.

Para minha surpresa, observei como foi entusiástica a acolhida à única diretriz do Capítulo para a inteira Congregação: “Gerar compaixão e esperança na comunidade da vida”.  Sentir essa energia de vida emergindo dessa diretriz, tanto para as pessoas individuais como para o inteiro grupo, foi uma grande alegria para mim.  Senti como um dom essa afirmação que a experiência de Goiânia chega até nós como uma luz de Deus.
 
Nosso 13º Capítulo Geral SFP não foi uma pequena experiência para mim, porque foi a primeira vez que participei pessoalmente de um Capítulo Geral.  Foi um evento que ensinou-me como continuar atenta ao Espírito Santo e aberta à vontade de Deus durante um processo de discernimento contendo várias etapas e aplicado não somente a cada participante como também à inteira Congregação.
  
Durante nossa Assembléia Italiana, revisamos a atualidade do nosso chamado e o entusiasmo com que o acolhemos, juntamente com o trabalho e o empenho em encontrar harmonia entre as necessidades da terra onde vivemos e a força do nosso carisma.  Senti que a nossa facililtadora, a psicóloga, Dra. Mariella D’Angelica, havia sugerido aquilo mesmo que, para nós, era tão importante: refletir a respeito de tudo aquilo que nos parecia confuso, a necessidade de confiança mútua e de permanecermos concentrados no processo de discernimento, dando espaço uns aos outros e tempo para criarmos juntos, nas Comunidades, projetos que sejam realizáveis.
 
O desejo de implementar a diretriz do nosso Capítulo nos levou ao enriquecimento da partilha que iniciamos e que agora deveremos continuar a explorar nas nossas Comunidades locais. Além disso, com confiança e generosidade, demos as boas vindas a todas as Irmãs e aos Afiliados que desejam participar dos vários Comitês de Área que estamos estabelecendo. Esse processo me pareceu uma maneira simples, mas envolvente, de sentir quais são as responsabilidades que queremos assumir neste momento que nos é confiado.
   
Em suma, para utilizar uma imagem, esta nossa Assembléia foi como uma grande construção para a qual convergiram diversas forças e dons e na qual estamos produzindo constantemente os tijolos e na qual não queremos deixar nenhum projeto sem concluir, e sim, com grande ardor e esperança, colaborar para promover e gerar em a comunidade da vida.

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Como é bom ter a família reunida!

Irmã Lécia José da Silva

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As Irmãs, orando durante a Assembléia

Realizamos nossa Assembléia de Área no período de 27 a 29 de dezembro, com o objetivo central de preparar os relatórios dos nossos ministérios pessoais para o governo e ter um momento onde podermos participar e partilhar mais intensamente nossas vidas e ministérios.

Fizemos memória do Capítulo Geral onde as delegadas e uma assistente que participaram transmitiram as suas experiências, o que enriqueceu todo o grupo. Foram destacados os aspectos que consideraram marcantes.  Depois, juntas, construímos propostas para vivenciarmos a Diretriz Capitular no decorrer dos próximos cinco anos.

Somos seres de relações.  Dentro de cada um de nós existe uma capacidade inata de estabelecer relacionamentos. “Nascemos para nos relacionar, e este é o nosso aspecto divino.” Somos chamadas a viver em comunidade como irmãos e irmãs. Como é bom ter a família reunida! As experiências pessoais nos enriquecem muito, sobretudo o testemunho que cada Irmã nos transmite nos momentos de convivência.

A oração, como qualquer encontro, movimenta todas as nossas forças, e não somente as que nos fazem atuar sobre as coisas, como também aquelas através das quais estabelecemos relações, onde experimentamos o acolhimento, o amor e a gratuidade.  A oração é uma de nossas atividades fundamentais, tão indispensável quanto o amor para a construção de um universo mais humano.

Tivemos também um momento de confraternização, contando com a participação dos Afiliados de Goiânia, duas vocacionadas e alguns Monges Beneditinos. Foi uma festa bem animada. Irmã Thalyta, com seu dom humorístico, conduziu esse momento de modo que todos os presentes participassem e contribuíssem para torná-lo mais alegre. “Quem não paga prenda não ganha presentes!”  Essa era a regra da brincadeira. Quase todos voltaram para suas casas com alguma lembrancinha.

A alegria contagiante espalhava-se no rosto de todos os participantes. Chamou-me atenção nossa Irmã Daniela, com seus 85 anos de experiência , em silêncio, seus olhos correndo de um canto a outro, só observando.  De vez em quando escapava um sorriso em seus lábios.  Parecia mesmo estar acompanhando tudo.  No momento propício contou-nos uma piada que trouxe risos a todos.

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Irmãs Thalyta, Lécia e Marta na Capela, com as roupas típicas da festa. Irmãs Tânia Maria e Daniela Marie, sentadas, à esquerda.

 

Quando tudo acabou, como eu estava do seu lado, ela me disse: “Nossa, Irmã Lécia, como foi boa a nossa festa, hoje!” Para mim foi muito forte e importante ouvir isso de uma Irmã que possui uma experiência longa de caminhada na Vida Religiosa, mas sobretudo porque veio de uma cultura diferente, ainda que muito bem inculturada.  Percebo a abertura de nossas Irmãs em acolher o novo e o diferente.  Isso é muito bom, pois contribui para o crescimento da nossa comunidade.

É preciso haver uma integração entre o antigo e o novo.  Os religiosos e as religiosas que possuem uma caminhada mais longa se abrem para acolher o novo que chega.  E as jovens que chegam, se abrem, para construirmos juntas a história da realidade atual, na perspectiva de fundamentar o carisma da nossa fundadora, a Bem-Aventurada Francisca Schervier.

Que o Espírito Santo sempre nos fortaleça, conduzindo-nos de tal forma que possamos irradiar o amor de Deus, espalhar sementes, cultivá-las e, no futuro, colher saborosos frutos.

Para mim, esses momentos de reflexão e convivência muito me enriquecem.  Me sinto como se eu fosse até uma fonte beber água e saciar a minha sede. Quando a família se reúne, prioriza-se, festeja-se e vive-se aquele momento.  E esses são sempre momentos únicos e irrepetíveis.

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“Altíssimo, Onipotente, bom Senhor... Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas...” – São Francisco de Assis

Irmã Grace Frances Strauber, SFP

Irmã Grace Frances Strauber falando ao grupo durante as sessões do Capítulo. Irmã Teresa Lamparelli está sentada à esquerda.

A espiritualidade da compaixão e da esperança na Comunidade da Vida segundo a nossa tradição franciscana nos é revelada no Cântico das Criaturas: o canto de amor de São Francisco de Assis. A tradição franciscana é sábia, zelosa, inspiradora e um guia prático à teologia da ecologia, além de basear-se numa antiga tradição cristã que considera a Terra como sendo nossa Irmã e mãe, e ciente da existência de uma irmandade entre todas as criaturas, as quais o Criador ama e valoriza uma a uma, de maneira particular.  “Não se vendem dois pardais por um asse?  No entanto, nenhum deles cai em terra sem o consentimento de Deus...”como dizem os Evangelhos (Mateus 10, 29 e Lucas 12, 6).  Somos todos uma única família!

Ilustração original de Claudia Bartoli-McKinney

O apelo de São Francisco, na simplicidade do seu coração, na dedicação com que seguia Jesus, no seu amor pelos pobres e na sua confraternização com todas as criaturas, reconheceu a beleza do Criador em cada uma delas, assim como na inteira criação: no sol, na lua, nas estrelas, na água, no ar e no vento; nas flores, nas árvores e nos animais, de todas as espécies.  São Francisco reconheceu e celebrou, maravilhado, a interdependência existente entre os seres humanos e destes, para com toda a criação.  Por tudo isso ele amava a Deus, e por muito mais!

Não era teólogo, mas a simples ênfase com que falava de Deus como sendo amor e bondade, motivou as pessoas mais comuns a procurar um significado mais profundo em suas vidas.  Francisco foi  muito inspirador para os grandes teólogos do seu tempo – como São Boaventura e o Bem-aventurado João Duns Scotus, que falaram da criação como uma revelação do transbordante amor de Deus – mas continua a iluminar também os teólogos dos nossos dias.

Assim como nós, Francisco teve de enfrentar a dor do mundo.  Foi ela que o levou a orar com compaixão, mas também a agir.  O cerne da espiritualidade de Francisco é o amor.  Nós, franciscanos, interpretamos tudo em termos do amor de Cristo, que não nos leva a nos isolarmos  do mundo e do resto da humanidade, mas sim a renovarmos sempre as nossas interrelações”.

Lemos no Artigo 43 das Constituições SFP que o “Nosso relacionamento com os outros seres humanos e com toda a criação repousa na união mística com o Criador, no qual encontra sua razão de ser.” Esse chamado à compaixão e à esperança na Comunidade da Vida é um apelo a compreendermos que estamos conectados com uma família muito mais ampla e que somos interdependentes.  Somos capacitados pelo Espírito para cumprir nossa responsabilidade de cuidar da Terra e de todas as criaturas vivas.  Nisso, somos ricamente abençoados pela graça de Deus.

Acreditamos que ainda há esperança.  Contemplando o futuro, nos sentimos mais reais, vivemos no presente e deixamos de lado os nossos desejos de poder e de controle.  O significado da esperança na Comunidade da Vida está na rotina ordinária do cotidiano, vivida na graça de cada momento.

A nossa espiritualidade envolve sempre alguma forma de conversão.  Percebemos a necessidade da nossa intuição e de práticas espirituais que nos relembrem das nossas origens para continuarmos a nutrir em nós um anseio de paz.  A contemplação é um longo olhar de amor, ardente e ativamente movido pelo Espírito e motivado pela solidariedade, com a intenção de nos conduzir a um novo modo de viver.

Consideramos o Cântico das Criaturas como uma visão de louvor  para a nossa oração e enquanto motivo de admiração, um recurso contemplativo para a ação.   O Cântico aprofunda o sentido da expressão “toda a criação” escrito em nossas Constituições.  Fazemos a experiência da Comunidade da Vida em cada uma das criaturas de Deus: “Louvai e bendizei a meu Senhor! Dai-lhe graças e serví-o com grande humildade!”

FONTES:
Constituições das Irmãs Franciscanas dos Pobres
O Cuidado da Criação
– Irmã Ilia Delio, OSF
Ecologia: o Coração da Fé – Denis Edwards
Graça Ancestral: Encontro com Deus na História Humana – Padre Diarmuid O’Murchu, MSC
O Cristo dos Celtas: A Cura da Criação – Rev. J. Philip Newell, teólogo celta escocês

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