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A Comunidade da Vida e os Adultos Jovens “Pergunto-me o que poderíamos aprender com os jovens sobre a Comunidade da Vida”
Parafraseando São Irineu, que afirmou no século II: “a glória de Deus é que o homem viva”, Oscar Romero disse em 1980, que “a glória de Deus é que o pobre viva”. Mas, acredito hoje em dia ele diria que a vida dos pobres e a sua libertação dependem da vida e da libertação da terra e do respeito pelos direitos de todos. O filósofo chinês Chiang Tsai disse, no século XI: “O céu é meu pai e a terra é minha mãe, e mesmo um ser tão insignificante como eu encontra entre eles um espaço aconchegante. Considero tudo o que permeia o universo como sendo o meu corpo e tudo aquilo que o conduz, a minha natureza. Todas as pessoas são minhas irmãs, e todas as coisas são minhas companheiras.” Somente quem tem fé na vida e amor pelo universo pode chegar a uma conclusão como essa. Todas as tradições espirituais trazem à mente a presença do divino que permeia todos os seres, afirmando que o encontro com a divindade acontece na comunhão com a natureza. Mas mesmo assim, temos de assumir o desafio de como desenvolver essa Eco-espiritualidade da libertação, e em qual direção. Podemos compreender a espiritualidade como sendo um sentido que queremos dar à vida. Mas como pode haver sentido na vida fora da relação com os outros? O primeiro lugar de encontro entre Deus e o humano é “o outro”, e não somente “o outro ser humano”, mas cada ser vivo e a criação em si. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman define a atualidade como a era da “sociedade líquida”.
Essa diversidade e falta de solidez são características dos jovens e adultos jovens, que constituem provavelmente a sua mais típica expressão. Pergunto-me o que poderíamos aprender com os jovens e adultos jovens sobre a Comunidade da Vida. Numa visão de universo não mais hierárquica-piramidal e sim circular, mediante qual linguagem e de que maneira pode existir uma “comunidade da vida” entre eles? Nesta “pós-modernidade líquida”, em que tudo se encontra constantemente em mudança, os jovens e os adultos jovens acabam criando sua própria identidade mediante “espaços abertos” feitos de diálogo, flexibilidade e impermanência.
Hoje, conviver com jovens e adultos jovens significa aceitar o desafio de nos colocarmos constantemente em movimento. Eles requerem que nos questionemos frequentemente e que assumamos uma atitude de maior fluidez e adaptabilidade. As recentes descobertas científicas apresentam o inteiro universo como sendo uma combinação das partes intrinsecamente conectadas e interdependentes. Esta época de “comunicações em rede” também nos ensina que, em qualquer rede estruturada, o senso de pertença é de importância fundamental. As redes de comunicação se baseiam na confiança mútua, na partilha de interesses comuns e na manutenção de relações interpessoais inclusivas. Fiquei impressionada com a história de André, um jovem de 21 anos falecido no ano passado, depois de ter passado meses num leito de hospital. Centenas de amigos participaram do seu funeral. Depois da cerimônia, muitos deles decidiram se tatuar com a letra “A”, indicando que André havia deixado uma marca permanente em suas vidas. “Ser” Comunidade da Vida com jovens e jovens adultos nos chama a oferecermos espaços onde possam “se conectar”, onde cada indivíduo se sinta benvindo por ser importante para os demais. Isso nos impele a criar redes nas quais privilegiar os interrelacionamentos, onde as experiências pessoais e os dons de cada participante sejam fios essenciais entrelaçados numa profunda comunhão. “Ser” Comunidade da Vida com os jovens significa anunciar o sonho de uma sociedade diferente, mais justa, comunitária e humanizante, baseada em relações fraternas. Esse sonho nos convida a nos aprontarmos para novos relacionamentos através do diálogo, para oferecer valores que possam ser partilhados e que sejam significativos não somente para a vida de cada indivíduo, como também e acima de tudo, para a inteira comunidade. Esse sonho nos desafia a nos oferecermos aos jovens sem pedir nada em troca e, a partir disso, repensarmos como podemos anunciar as boas novas de Deus sobre a Comunidade da Vida. Estes são alguns dos desafios aos quais os jovens e os adultos jovens estão nos chamando, e estamos percebendo que, se mantivermos a abertura necessária para acolhê-los no presente, o futuro se abrirá para todos nós, de par em par. Boa caminhada! Irmã Gianna Giovannangeli, sfp [1] Cf. BAUMAN, Voglia di comunità, [Desejo de comunidade] 72.
Irmã Maria Klosterman, SFP
Olhando para o relógio da minha escrivaninha, percebo como o tempo voa e que logo mais devo me encontrar com os Voluntários da Cozinha da Sopa São Francisco no bairro Over-the-Rhine, aqui em Cincinnati. Todas as segundas, quartas e sextas-feiras nos reunimos para ajudar a servir um jantar para muitas pessoas sem recursos. Os voluntários são muito diferentes entre si, mas todos sorriem muito, solícitos e generosos, inclusive vários adolescentes e jovens adultos vindos das várias escolas e universidades, muitos dos quais continuam voluntariando muito depois do período requerido para ganharem pontos nos seus estudos pela prestação de serviços à comunidade.
Em abril de 2008, durante sua visita a Nova York, Papa Bento XVI afirmou, dirigindo-se aos jovens: “Hoje, os discípulos de Cristo são vocês . . . Mostrem ao mundo o motivo de esperança que ressoa no seu interior. Contem para os outros qual é a verdade que nos liberta.” E é exatamente isso que nossos voluntários estão fazendo! E até mais do que isso, porque é ajudando os outros que encontram satisfação, significado e propósito na vida, isto é, tudo aquilo que estão procurando. Sim! Há muita gente atualmente rotulando os jovens indevidamente, dizendo que:
Muito embora essas reclamações possam se aplicar a alguns jovens, não são válidas para muitos outros. Robert McCarty, autor do livro “A Nova Igreja Católica: suas Raízes e suas Asas, identifica certos tipos de comportamento prevalentes entre os jovens de hoje. No passado, considerávamos como sendo ‘normal’ que os jovens abandonassem temporariamente a Igreja, retornando depois do casamento, quando tinham filhos. Mas já podemos mais contar com isso. Os jovens de agora vão procurando de igreja em igreja uma comunidade de fé na qual se sintam bem recebidos. Vão procurando uma experiência autêntica de Deus e uma religião que os ajude a compreender a vida com suas alegrias e sofrimentos, uma fé que faça sentido, que lhes dê uma direção e um significado, e que seja estimulante. E estão dispostos a se conectar com pessoas de todas as faixas etárias que estiverem à procura dessas mesmas coisas.
McCarty comenta: “Na sua sede do que é sagrado, os jovens demonstram abertura ao que é transcendente. Na sua sede de justiça, são abertos a servir. Na sua sede de contato, procuram encontrar um lar espiritual! Para sermos eficientes em ‘passar a nossa fé adiante ... precisamos primeiramente responder a esses anseios deles.” Eles hoje estão lutando para crer e pertencer. Muitos são profundamente espirituais, religiosos e conectados a alguma comunidade de fé. Compreendem a espiritulaidade em termos do seu mistério, da sua beleza, da compaixão, da inclusividade e da justiça social. No entanto, frequentemente compreendem como 'religião' tudo aquilo que não implica em duros julgamentos, doutrinas abstratas, regras sem sentido, ou rituais cansativos e sem significado. McCarty acredita que: “O catolicismo é eficiente sempre que providencia um contexto e uma linguagem para mencionar e celebrar a experiência pessoal de Deus, sempre que serve de transmissor da experiência de Jesus e que oferece uma comunidade sacramental, um lar espiritual.” E isso pode nos sugerir várias ‘estratégias’ que poderiam ser bastante eficientes. Basta perguntar aos jovens – e ouví-los atentamente quando responderem – onde experimentam a presença de Deus, onde preferem orar, onde sentem verdadeira alegria ou suportam as dores porque Deus está presente! No documento do Terceiro Congresso sobre as Vocações da Conferência dos Bispos do Canadá de 2002, intitulado: “Conversão, Discernimento e Missão: Para Criar uma Cultura Vocacional na América do Norte”, seus autores observam que corremos sempre um grande perigo quando estereotipamos uma inteira geração. Em vez de serem canonizados ou condenados, os jovens estão precisando, pessoalmente e enquanto grupo, de serem respeitados e compreendidos! Precisamos engajá-los num diálogo em que os seus pontos de vista e as suas experiências sejam respeitados e lhes seja permitido aflorar a sua própria espiritualidade, que só então poderá ser comparada com a espiritualidade da tradição católica. Unicamente o respeito e a compreensão poderão oferecer uma base sólida para um possível convite a considerarem qualquer chamado ao discipulado e à missão, até poderem abordar as questões mais específicas da ordenação sacerdotal ou da vida consagrada.
O GRUPO MAFRA: NOSSO NOVO MINISTÉRIO EM GOIÂNIA “É hora de Gerar Esperança na Comunidade Da Vida” Irmã Lecia José da Silva e Afiliada Marli Moreira Barbosa
Em 2009, conforme as necessidades priorizadas pela Liderança Congregacional, assumimos um trabalho com adolescentes no Centro de Formação Francisca Schervier. Com eles, criamos o Grupo MAFRA – Grupo de Adolescentes Madre Francisca, um nome escolhido pelos próprios componentes do grupo. É gostoso trabalhar com esses 16 jovens de ambos sexos, na faixa etária de 10 a 14 anos. São cheios de vitalidade e buscam a amizade e um ideal, a valorização de si, a aventura e a liberdade. Sentem necessidade de ternura e estabilidade, de compreensão e independência. Querem ser ouvidos, comunicar-se. Querem ser percebidos e partilhar a vida. Querem o reconhecimento e a valorização das suas pequenas ações. Querem manifestar sua afetividade, rezar em comum, receber formação humana e religiosa e sentem a necessidade de criar confiança e de se sentirem amados.
Ser Comunidade da Vida com Adultos Jovens É muito gratificante sairmos do nosso comodismo para ir ao encontro das necessidades dos jovens. Como é preciso usar de muita criatividade para responder a esses desafios, precisamos buscar as habilidades que temos escondidas no nosso cofre secreto para poder acompanhá-los. O Grupo MAFRA nos a juda a nos conhecermos uns aos outros e a nos tornarmos conhecidos entre os jovens do bairro. Nesta década, ministrar à juventude é uma das prioridades da Igreja. O Santo Padre Bento XVI conclamou recentemente a juventude a “descobrir na Cruz a medida infinita do amor de Cristo” recordando que Cristo crucificado é “sabedoria e força de Deus que se manifesta através de nós” (Mensagem aos jovens da Espanha que foram a Roma receber a Cruz da Jornada Mundial da Juventude de 2011). Os Muitos Desafios A juventude atual tem grande necessidade de ternura, uma qualidade que se tornou tabu na nossa sociedade materialista, pois já não há calor humano, nem compreensão nos relacionamentos. Além disso, os meios de que dispomos hoje nos proporcionam uma comunicação patológica. Apesar de termos novos meios de nos comunicar, nos distanciamos uns dos outros, ficando mais isolados no nosso individualismo e mais sedentos de ternura e calor humano. Além dessea necessidade de ternura, muitos jovens sentem a necessidade de usar drogas e bebidas alcólicas para evitar a solidão que sentem por dentro. Precisam de estabilidade, procuram ter um ponto de referência, e buscam relacionamentos que lhes propiciem uma imagem gratificante de si mesmos. No passado, essas dinâmicas faziam parte da adolescência, mas hoje em dia, dizem os especialistas, a adolescencia vai até os 35 anos de idade! Oferecer nossos Talentos a este Ministério
Precisamos adquirir habilidades muito específicas para acompanhar os jovens. O envolvimento emotivo e relacional na nossa interação com eles é muito profundo. Precisamos primeiramente ter o coração livre e ser disponíveis para permitir que o seu coração seja tomado. Só depois podemos oferecer-lhes a pessoa de Jesus Cristo. É hora de gerar esperança na comunidade da vida, de criar com os pobres e a humanidade sofredora a capacidade de olhar além. O objetivo do Grupo MAFRA é remar contra a maré para gerar transformação e ser testemunho de Deus, sem acanhamento de assumir o Senhor como o centro das nossas vidas. A Juventude e os Adultos Jovens: Jules Marie Diouf, Agente de Pastoral junto à Juventude Franciscana
Os escritores franceses Ludivine Bantigny e Ivan Jablonka afirmam: “A juventude é, simultaneamente, uma fase da vida – e portanto um estágio do ciclo biológico, um vetor de progresso ou de contestação social, um grupo de pessoas e um setor demográfico – e também uma geração. Representa aquele período intelectual e politicamente decisivo em que surge a consciência da contemporaneidade.” Todo indivíduo passa por essa fase do seu ciclo biológico que dura geralmente de 18 a 35 anos. A juventude é uma fase notavelmente precária da vida, marcada pela consciência de uma busca totalmente natural de validação e direção pessoais. É uma fase essencial ao futuro moral, psicológico, intelectual, político e religioso de cada jovem e à sua efetiva integração à sociedade. A juventude é um período de questionamentos sem respostas óbvias, durante o qual os jovens enfrentam por si mesmos as diferenças e as injustiças do dia a dia. São frágeis e muitos deixam a porta aberta aos mal intencionados que podem corrompê-los e divergí-los do essencial para o supérfluo, e da espiritualidade e da fé para o dinheiro, o materialismo, as drogas e a sexualidade irresponsável. Os jovens de hoje estão passando por uma crise de valores e uma perda de referenciais sociais sem precedentes, mas parecem estar lutando para encontrar novos horizontes que dêem um sentido à sua existência. A diretriz do Capítulo Geral nos compele a “gerar compaixão e esperança”, inclusive no serviço à juventude. Como vamos fazer isso?
No Senegal, precisamos sensibilizar os jovens sobre os riscos que assumem ao decidirem embarcar em viagens perigosas usando precários barcos de pesca pensando em chegar à Europa, onde melhorar de vida. Podemos demonstrar para eles que é possível ser feliz aqui mesmo, junto à família, vivendo com os meios disponíveis. Reverenciemos a busca dos bens espirituais porque só eles podem conduzir à felicidade. Se fizermos isso, até o próximo Capítulo em 2013 com certeza alcançaremos resultados positivos nos nossos ministérios à juventude.
Caminhada de Educação para a Solidariedade:
Comunidades da Casa Porta San Giacomo e da Casa Nazareth de Pádua
O que aconteceu depois que várias das nossas Irmãs se reuniram para assumir com seriedade o desafio lançado por uma Oficina Internacional sobre a Pastoral da Juventude? Sentindo que era urgente acolher os jovens no espírito de Madre Francisca, tivemos a vaga idéia de oferecer a eles um “pacote de solidariedade”! Nasceu assim um projeto, durante o encontro que tivemos entre as Irmãs da Casa Nazareth e da Casa Porta San Giacomo. Aproveitando nossa experiência de serviço aos pobres e ao crescente número dos estrangeiros que estão vivendo em Pádua, decidimos iniciar um diálogo positivo e criativo com os jovens da cidade. Depois de vários meses de diálogo e discussão de propostas mais ou menos realizáveis, o nosso “pacote de solidariedade” se tornou um projeto, que nos oferece agora uma oportunidade realmente preciosa de descobrir e reconhecer os talentos de cada uma de nós, numa verdadeira troca de idéias entre Irmãs. Tudo nos levava a imaginar um processo de Educação para a Solidariedade quando percebemos que a controvertida questão dos imigrantes já é um assunto de todos os dias e não somente para quem está lidando com eles, como para qualquer cidadão italiano! Assim, apesar de algumas preocupações, mas com muito entusiasmo, lançamos essa proposta nas duas paróquias onde ministramos a um total de cinquenta jovens.
Desenvolvemos um processo em três etapas de formação, dando amplo espaço aos jovens para se exprimir e discutir suas próprias vivências com relação aos imigrantes. Preparamos cada reunião com várias dinâmicas de modo a envolvê-los ativamente no processo. Para nossa surpresa, vieram à tona todos os preconceitos e clichês estereotipados contra os imigrantes, mas vieram também ao mesmo tempo, o desejo de procurar encontrar o outro, a capacidade de cada um exprimir sua própria opinião e discuti-la com abertura, reconhecendo os direitos humanos de cada um.
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