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VOZES SFP

junho 2009
Vol. V, No. 5 ©

 

Vislumbres da Graça
na Comunidade da Vida

Você já conseguiu vislumbrar alguma graça que tenha depois continuado a iluminar a sua vida?  Algum momento em que você tenha ouvido algumas palavras ou visto algo de significativo que você gosta de guardar no seu coração e relembrar?  Consegue recordar o instante em que, no profundo de si mesmo, você sabia que havia uma mensagem de Deus contida naquele encontro?

Talvez reconhecendo que somos Amados do Senhor, possamos cultivar tanto desvelo e cuidado pelos outros quanto nos preocupamos por nós mesmos.  Talvez então possamos descobrir e proclamar que fomos feitos pelo Amor para ser Amor.”

Senti uma graça como essa, alguns anos atrás, quanto tive a oportunidade de ouvir o teólogo canadense Michael Hryniuk, muito conhecido nos Estados Unidos onde tem realizado um extenso trabalho sobre a caminhada de fé das novas gerações.  De fato, pouco antes daquela conferência, Michael havia terminado uma ampla pesquisa ecumênica, por todo o país, sobre o papel da fé Naquele dia, passando os olhos pela sala que reunia um público de idade mais avançada, não pude deixar de pensar que estávamos todos ali com a esperança de receber algumas “pérolas de sabedoria” da boca de um especialista.  No final do dia, não parti desapontada porque havia realmente encontrado uma pérola!

Que mensagem maravilhosa!   E não somente para os jovens, mas para todos nós e para a inteira criação!   Deus nos convida a todos a essa descoberta que vai se desdobrando.  Cada um de nós, em todos os aspectos da criação, tudo o que vemos com nossos próprios olhos e tudo aquilo que o  nosso olhar não consegue discernir, faz parte da divina realidade de sermos “Amados do Senhor”!   Fomos todos criados por um ato de Amor.  É o Amor que nos sustenta em cada momento.  E será esse Amor que um dia nos chamará para a nossa última morada.

E na descoberta de sermos “Amados do Senhor” que chegamos à compreensão que não podemos viver isolados, que não devemos viver sozinhos.  Precisamos uns dos outros tanto quanto precisamos de certas coisas como a água, a luz do sol e a escuridão da noite para nutrir nossa existência.  Fomos feitos para a existência na comunidade da terra.  Fomos feitos para experimentar a vida com toda a plenitude. E é como parte dessa plenitude da vida que fomos criados para louvar a Deus mediante aquilo que somos e que podemos contribuir para o mundo, mesmo precisando lutar,  talvez demasiadas vezes, para acreditar que somos “Amados do Senhor”.

Poderíamos talvez nos perguntar que aparência teria para nós a sensação de sermos “Amados do Senhor”?   Quem sabe se a nossa habilidade em sermos “Amados do Senhor” nos permitiria perceber mais claramente nossas interconexões com Deus, com o próximo, com cada coisa, evento ou situação que encontramos na caminhada da vida?  Quem sabe se abraçando a certeza de sermos “Amados do Senhor” podemos fazer brotar fontes de perdão na nossa alma com as quais mitigar a secura dos profundos vales cheios de dor e sofrimento à nossa volta?

Talvez reconhecendo que somos “Amados do Senhor” possamos cultivar tanto desvelo e cuidado pelos outros quanto nos preocupamos por nós mesmos.  Talvez então possamos descobrir e proclamar que fomos feitos pelo Amor para ser Amor.

Que tarefa espantosa!   Como viver a mensagem e assumir de coração o desafio de sermos “Amados do Senhor” ?   A Bem-Aventurada Francisca Schervier, fundadora da nossa Congregação das Irmãs Franciscanas dos Pobres, vislumbrou o significado de sermos todos “Amados do Senhor” quando escreveu: “Três pontos são essenciais para uma vida de amor recíproco: dar, perdoar e conceder ...”

Num mundo tão desfigurado pela existência centrada em si mesma, o primeiro aspecto do amor, o ato de dar de si antes de pensar em si,  adquire um significado mais profundo.  Com a maior facilidade podemos perceber como a criação é próspera na sua generosidade.  A criação nunca deixa nada para mais tarde.  A criação dá sempre o melhor de si mesma.  Basta colhermos um momento para acolher a maravilha e a abundância do amor da criação que nos envolve de tantas maneiras ...   A criação, silentemente, ensina-nos a amar.

A Bem-Aventurada Francisca Schervier, fundadora da nossa Congregação das Irmãs Franciscanas dos Pobres, vislumbrou o significado de sermos todos Amados do Senhor quando escreveu: “Três pontos são essenciais para uma vida de amor recíproco: dar, perdoar e conceder ...”

O segundo aspecto do amor, que é o perdão, concerne cada um de nós enquanto seres muito humanos e frágeis, capazes de cometer incontáveis erros e enganos, tantas vezes incapazes de cumprir uma promessa!   Todos temos aspectos em nossas vidas carentes daquele bálsamo de cura que há em ouvir ou pronunciar as palavras “sinto muito” e “eu lhe perdoo”.   Palavras puras e simples, mas que muitas vezes nos custam tanto a dizer.  Quantas vezes sabemos muito bem, no fundo do coração, como elas são importantes, mas temos tanta dificuldade em trazê-las as lábios.  Por isso mesmo, tanto para oferecer como para receber o perdão, nos falta a coragem de dar o primeiro passo e ser a primeira pessoa a assumir essa decisão!

O terceiro aspecto do amor, que é conceder, requer que renunciemos à nossa vontade pessoal pelo bem comum de todos.  Sendo humanos, temos a tendência natural de pensar que somos sempre os donos da verdade.   No entanto, Deus e a própria vida nos contradizem completamente.  Podemos saber parte da verdade, assim como o outro também pode saber, mas somente num diálogo aberto podemos conhecer a Verdade completamente.

E preciso não nos deixarmos iludir que essas simples palavras: “dar, perdoar e conceder” sejam simples de se viver.  Precisamos da graça de Deus para podermos encarná-las em nossas vidas.
Vamos nos empenhar e prometer uns aos outros que procuraremos viver essas palavras, instilando-as em nossas conversações no dia a dia, para sermos um bálsamo de cura, como a presença de Deus em meio à comunidade da vida.

Marilyn Trowbridge, sfp
Primeira Conselheira

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Arte-Terapia: Curar com Arte
Irmã Jenny Favarin, sfp

Aonde vai a mão, os olhos acompanham,aonde vai o olhar, a mente se dirige, onde a mente se concentra, se manifesta um sentimento,onde vive um sentimento, nasce a essência da arte ...(Abhy Naya Darpana)

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Esculturas e aquarelas de Irmã Jenney Favarin

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O objetivo principal da Arte-Terapia é ajudar a pessoa a descobrir a arte dentro de si mesma, juntamente com todos os seus recursos e talentos, e a se abrir a novos sentimentos de esperança.   Assim, é possível restaurar na pessoa que está passando por dificuldades, um senso de beleza – de beleza interior – a sagrada, vital e misteriosa marca da Divindade.

Desenhando, pintando ou esculpindo, os muros da hesitação e da alienação erigidos pelos nossos sofrimentos, traumas ou limitações físicas, se desintegram.  A pintura e a escultura se tornam expressões da nossa profunda necessidade de nos comunicarmos com outras pessoas, enquanto seres humanos.  Todo bebê tem a necessidade fundamental de se comunicar quando sente fome, dor ou medo e, chorando,  exprime essa sua necessidade de ser atendido.  O choro é a sua primeira forma de expressão “artística”, ou seja, representa a sua decisão de se comunicar com os outros para viver e continuar crescendo.

Em setembro de 2008, depois da minha experiência inter-área nos Estados Unidos, me matriculei numa escola de arte-terapia em Milão.  Esse programa está me proporcionando um novo meio de retornar à essência da minha própria existência, à beleza e à sacralidade da vida.  É uma oportunidade de afirmar e responder a um desafio: acreditar que cada ser humano tem a necessidade, o direito e o dever de encontrar um meio de se expressar livremente.  

A arte também é um meio de tornar visível aquilo que é invisível e de reformular aquilo que o indivíduo traz no seu profundo — aquilo que não pode ser expresso com meras palavras.  Com o estímulo das Irmãs SFP dos Estados Unidos, essa escola foi o que encontrei para me desenvolver por minha própria iniciativa, mas foram elas que tiveram a abertura e a coragem de me revelar algo que haviam percebido dentro de mim e procuraram me conduzir de volta ao mundo da arte, ajudando-me a perceber que esse dom é um aspecto muito importante da minha personalidade, do qual andei descuidando.
 
Assim, orei e saí em busca de suporte para a minha expressão artística.  Inicialmente, participei de uma oficina de arte-terapia de um dia, trabalhando com argila, juntamente com mulheres que estão enfrentando problemas pessoais.  Experimentando com novos materiais, compreendi a necessidade que o  nosso espírito, corpo, mente e até a respiração têm da beleza e decidi continuar.  Afinal, não foi o próprio Deus que, como primeiro artista, tudo criou com alegria?
 
A Arte-Terapia promove a nossa participação pessoal na beleza da criação, além de sermos criaturas dando-nos um senso de liberdade e de cura.  Através da Ate-Terapia , o espaço, o tempo, as coisas materiais e a imaginação se tornam meios de entrar em contato com emoções, sensações e lembranças, que podem ser mais ou menos problemáticas, mas que precisam ser aceitas e benvindas para se tornarem benéficas.  Afinal das contas, a  Arte, mesmo na sua dimensão tangível e visual – empregando papel, tintas, argila, madeira, pedras e materiais reciclados – sempre se manifestou através das emoções, dos sentimentos, das recordações, dos sonhos e das aspirações ...
 
Esta concreta experiência que estou fazendo juntamente com as colegas de classe que começaram comigo esta aventura, me oferece uma oportunidade de integrar-me a uma nova realidade onde cada pessoa pode fazer uma experiência de cura, compaixão e esperança, de maneira criativa.  Um dos aspectos da Arte-Terapia que mais me agrada é trabalhar em equipe.  Com isso, o clima de comunicação e de preocupação que sentimos umas pelas outras vai pouco a pouco se tornando um instrumento de cura, solidariedade e compaixão.  Na Arte-Terapia aprendemos, dia após dia, a nos aprofundarmos nos mistérios da alma humana.

…onde a essência da arte revela a verdade, encontra-se o segredo da alma.

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Risos e Brincadeiras como Terapia Alternativa

Irmã Mary Madonna Hoying, SFP

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Irmãs da Comunidade do Convento Santa Clara festejando o “Kentucky Derby”

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Irmã Joanna Burkhart usando o seu chapéu premiado

Recentemente aqui em Cincinnati temos tido algumas oportunidades maravilhosas de experimentar certas formas alternativas de terapia.  Apesar de sabermos como é importante equilibrar o tempo de ministério e o tempo de lazer no dia-a-dia, conseguir fazer isso é sempre um desafio.  Como já foi provado que rir é importante para a saúde, gostaria de partilhar com vocês como temos vivido as alegrias especiais da Páscoa, experimentando a ressurreição com brincadeiras, risadas e a oração comum.

Desde1875,  no primeiro sábado de maio, acontece em Louisville, não longe de Cincinnati, o “Kentucky Derby”, a corrida de cavalos puro-sangue mais famosa dos Estados Unidos.  Apesar da competição durar apenas alguns minutos, a tradição inclui várias festas e as mulheres que atendem o evento na sociedade hípica se vestem bem, usando chapéus caros e requintados.

Mas aqui na Comunidade do Convento Santa Clara, temos a nossa própria maneira especial de comemorar o “Derby Day.”  Criamos chapéus extravagantes e oferecemos um prêmio para o mais bonito.  Como somos franciscanas, é claro que não são caros, mas nem por isso deixam de ser requintados!   Nos reunimos às quatro e meia para assistir a corrida pela televisão, usando nossos chapéus floridos.

Katie, a nossa faxineira, costuma envolver a mãe dela, na nossa competição.  Sendo uma exímia modista, ela criou para nós muitos dos chapéus premiados.  Embora todas estivéssemos exuberantes com nossos chapéus, foi Irmã Joanna Burkhart que ganhou o prêmio de 2009 (Na verdade o chapéu pertence a Irmã Grace Miriam Pleiman, que o ganhou de uma sobrinha, mas como Irmã Joanna o havia pedido emprestado, acabou sendo a vencedora!)  Comparando com os chapéus das senhoras ricas do Derby que vimos pela televisão, chegamos à conclusão que os nossos até que eram mais bonitos!


“Como já foi provado que rir é importante para a saúde . . .”




Antes da corrida, sorteamos os nomes dos cavalos que havíamos colocado num chapéu. Venceu o cavalo  escolhido por Irmã Yvonne Fackler.  Apesar dos comentários que aquele cavalo tinha pouca chance de ganhar e quem apostasse nele, ganharia 50 dólares para cada dólar apostado, Irmã Yvonne só recebeu 5 dólares, porque era tudo o que tínhamos para apostar!   Realmente foi empolgante ver um cavalo sem grandes chances acabar chegando bem na frente dos outros, mas certamente a nossa alegria foi temperada com os tradicionais coquetéis  “mint juleps”, preparados por Irmã Grace Miriam, misturando hortelã, uísque e água com açúcar.  A festa foi divertida e serviu para nos unirmos mais enquanto comunidade, como uma bela “terapia alternativa”.

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Irmã Marie Clement Edrich antes de cortar seu bolo de aniversário

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Sr. Marie Clement with her sisters: Bernadette Tallarico and Mary Sullivan

No dia seguinte, 3 de maio, reunimos muitas Irmãs na Casa de Contemplação Pinecroft para celebrar o aniversário de Irmã Marie Clement Edrich que completava 84 anos.  Como era o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, iniciamos o dia com uma bela liturgia  preparada pela comunidade local.  Iniciamos com a canção, “O Vale Verdejante”, fizemos a “Oração ao Bom Pastor”, e concluímos com uma inspiradora “Ladainha da Paz”.    Partilhamos sobre a pergunta “Como nossa vocação cristã tem sido uma bênção para você?”  Mencionamos com frequência as bênçãos que recebemos de Irmã Marie Clement, guardadas na lembrança. Concluímos o dia com um delicioso jantar preparado por Irmã June Casterton durante o qual continuamos contando nossas histórias e nos divertindo imensamente.


“Como é bom viver numa
comunidade franciscana!”




Mas as nossas celebrações não pararam por aí!   No dia seguinte, reunimos umas vinte Irmãs no Restaurante Tumbleweed onde surpreendemos Irmã Bonnie Steinlage com uma festinha para marcar a sua entrada na “idade do Medicare” – a previdência social norte-americana para pessoas de mais de 65 anos. 

Como Irmã Bonnie gosta muito de animais de ovelhas e outros animais de criação, Irmã June sugeriu que fizéssemos uma coleta para comprar em seu nome quatro ovelhinhas que ela deverá oferecer a pessoas carentes de algum país em desenvolvimento.  Isso será feito através da Heifer International –  uma organização sem propósito de lucro sediada em Arkansas, nos Estados Unidos, empenhada na erradicação da fome e da pobreza no mundo mediante a distribuição de animais e outros recursos para famílias que vivem na zona rural.

Irmã Bonnie ficou encantada com o “presente” e foi logo dando um nome para cada ovelhinha. Assim, tivemos mais uma noite de alegria, para provar que todas nós que já chegamos à “idade do Medicare” podemos nos propiciar a terapia alternativa de conviver e festejar e dizer: “Como é bom viver numa comunidade franciscana!”

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Perspectivas de Restabelecimento: gratidão a Deus, fonte de toda cura

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Madeleine no Dispensário S. Francisco

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Dispensário em Missira

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Curando o pé de um doente

Madeleine Thiaw
Agente de Saúde do Dispensário S. Francisco

em Missira, Koumbidia e Koungheul, no Senegal

Já faz trinta anos que trabalho no setor do atendimento de saúde?  Que ótimo!  E sempre tenho mais e mais para descobrir!  Procuro me manter sempre interessada em superar-me, em atender melhor, em acolher e confortar os outros.  Meu Senhor, Deus Criador da terra, Pai celeste, que nos protege em suas mãos, muito obrigada por todas as criaturas que Tu criaste e mediante as quais satisfazes as nossas necessidades.  Que o teu Filho, Jesus Cristo, seja glorificado!

É mediante o teu perdão que nos tornamos teus filhos e filhas, em Cristo.  Obrigada por estes trinta anos de serviço neste campo e por tudo aquilo que continuas concedendo a mim e aos que me são caros.  Obrigada pelas pessoas cujas vidas confias aos meus cuidados.  Todos nós, os agentes de saúde, te somos gratos.  Obrigada pelas pessoas cujos corpos e mentes dirigiste ao nosso atendimento, com a esperança e a perseverança de resgatarem suas vidas plenamente.

Queremos confiá-los aos teus cuidados, certos de que o teu Santo Espírito fortifica e satisfaz cada ser humano para saná-lo.  Sem a tua graça, ninguém pode sobreviver nem ajudar o próximo a curar seus males e melhorar de vida.  Mediante a medicina oficial ou tradicional, mediante a cura homeopática e as terapias alternativas, através da massagem, a mensagem do teu Espírito ilumina os corações aflitos, os aconselha e os ilumina.  A tua palavra é o verdadeiro pão da vida.  Nós te louvamos! Eu te agradeço pelo tempo que tenho trabalhado pela saúde das pessoas.  Sei que é mediante a tua vontade que os doentes são sanados e que é pela tua cura que aprendemos a confiar completamente em ti.  Nós te bendizemos!

Obrigada, Senhor, pelas crianças nascidas das mulheres antes desesperadas por não conseguirem conceber.  Foi o teu Espírito que as tornou férteis.  Nós te pedimos, por tua imensa caridade, ajuda-nos a cuidar dos órfãos com amor, a servir os paralíticos e as pessoas com deficiências físicas e mentais que dependem do teu e do nosso cuidado.  Para sempre sejas louvado, honrado e glorificado, nosso Santo Redentor!

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IN MEMORIAM

Irmã Coletta Goetz, SFP
11 de maio de 1912 - 20 de fevereiro de 2009

 

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração;
e encontrareis descanso para as vossas almas.
(Mateus 11, 29)

Nossa meiga e pequenina Irmã Coletta Goetz vivia as palavras Jesus como estão escritas nos Evangelhos.  Refletindo sobre sua vida, seria possível dizer que ela era um evangelho vivo.  Nas primeiras horas da madrugada de 20 de fevereiro de 2009, Jesus a chamou e a abraçou no seu amor, caminhando docemente com ela através da morte, em direção à nova vida. Por vários dias membros de sua família e as Irmãs residentes no Lar Mercy Franciscan Terrace e no Convento Santa Clara se mantiveram em vigília orante à sua cabeceira.  Várias pessoas notaram como Irmã Coletta se esforçava para continuar orando, e tentava fazer o sinal da cruz, murmurando a Ave Maria até o final da sua vida.

Seus pais, Anna E. Knoechelman e Joseph A. Goetz sentiam muito orgulho dos nove filhos que tinham: cinco meninos e quatro meninas.  A quarta criança, nascida em Cincinnati, Ohio, no dia 11 de maio de 1912, foi batizada com o nome de Edna.  A família Goetz morava em Cold Spring, uma cidadezinha do Condado de Campbell, Estado de Kentucky, frequentava a Paróquia de São José e as crianças estudavam na escola paroquial.  As professoras de Edna no curso elementar eram as Irmãs Escolares de Nossa Senhora, uma congregação alemã à qual ela pensava pertencer, algum dia.

As boas lembranças que Irmã Coletta guardava da infância eram as de uma família que vivia feliz.  Quando Joseph, seu pai, ia ao mercado, as crianças esperavam ansiosamente pela sua volta, porque ele costumava deixar que rebuscassem seus bolsos à procura de petiscos escondidos.  Durante a Quaresma era ele quem conduzia o rosário em família.  Anna, sua mulher, costumava conduzir a Ladainha à Santíssima Virgem, em alemão.  Certo dia, intrigada com a resposta depois de cada invocação “betet für uns” (isto é, “orai por nós”), Edna não se conteve.  Acabou perguntando à sua mãe: “Porque é que as pessoas ficam dizendo na oração “bed first” (primeiro a cama)?”

Edna contava apenas onze anos de idade quando uma tragédia devastou a família.  Cinco dias depois de dar à luz a Teresa, a caçula, Anna Goetz faleceu, deixando para a filha maior, Loretta, a responsabilidade de acabar de criar seus irmãozinhos.  Ainda muito jovem, Edna começou a trabalhar para uma família como governanta.  Ganhava dez dólares por semana, o que naquela época era dinheiro.  No dia do pagamento, entregava ao pai nove dólares, para ajudar a família, guardando somente um dólar para pagar a condução até o emprego e cobrir suas necessidades pessoais.

Certo dia, enquanto trabalhava, ouviu uma voz interior dizendo com insistência que não iria entrar para a congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora.  Sentiu-se muito perturbada com essa revelação até a noite em que sonhou que havia encontrado um crucifixo com as imagens de São Francisco e de Santo Antônio.  Despertou com uma sensação de grande paz e a nítida impressão de que iria ser uma franciscana.  Quando relatou esse sonho ao seu pároco, ele lhe deu o número do telefone do Convento Santa Clara, que mudou a sua vida.

Em 1937, dois anos depois dessa consulta com o padre da paróquia e poucos meses antes de completar vinte e cinco anos, Edna se preparava para deixar a casa paterna e ir abraçar a família das Irmãs Franciscanas dos Pobres.  Estava de malas prontas para assumir a nova vida e planejava partir no dia 2 de fevereiro.  No entanto, Deus tinha outros planos em mente.  Grandes temporais naquele inverno fizeram o Rio Ohio transbordar.  No dia 26 de janeiro os alagamentos em Cincinnati haviam atingido mais de 24 metros de profundidade, impossibilitando a travessia da ponte entre Kentucky e Ohio.  Somente no dia 5 de fevereiro a àgua voltou ao seu nível normal, permitindo que ela, acompanhada pelo seu pai, pudessem chegar a Cincinnati e ela pudesse entrar para o convento no domingo, 7 de fevereiro.

Edna era apaixonada pelo seu Criador e assumiu a nova realidade com entusiasmo, disposta a aprender tudo o que podia sobre a vida religiosa.  Depois dos seis meses do postulantado, Edna recebeu o nome religioso de Irmã Coletta e o hábito da Congregação das Irmãs Franciscanas dos Pobres.  Depois do noviciado, proferiu seus primeiros votos no dia 8 de setembro de 1939, e fez profissão perpétua em 8 de setembro de 1944.

Ela serviu nos departamentos dietéticos dos seguintes hospitais: o St. Francis Hospital em Columbus, Ohio; o St. Elizabeth Hospital em Dayton, Ohio; o St. Elizabeth Hospital em Covington, Kentucky; o St Mary Hospital em Cincinnati, Ohio; e o St. Francis Hospital, em Cincinnati, Ohio.  Nessa mesma função ela serviu várias vezes o Convento Santa Clara, preparando as nutritivas refeições das companheiras.

Irmã Coletta era uma excelente cozinheira.  Sendo pequenina, o trabalho na cozinha podia ser difícil para ela, certas vezes.  As enormes panelas e travessas eram pesadas, mas ela nunca reclamou, ao contrário, parecia estar sempre cheia de alegria.  Era a líder favorita dos novos membros da Congregação.  Antes do Natal, organizava a decoração do convento, que incluía desenhos pintados nas vidraças, com estêncil.  Costumava brincar com as noviças que estavam estudando enfermagem instruindo-as a irem “tratar os sintomas da fome” cada vez que uma refeição ficava pronta para ser servida.

Irmã Coletta também atendeu os pobres diretamente trabalhando na cozinha da sopa do centro social São João situado no bairro pobre Over-the-Rhine de Cincinnati.  Ajudava a preparar e distribuir os sanduíches e examinava as doações de roupas usadas que recebiam.  Irmã Coletta também serviu as Irmãs cozinhando para comunidades menores.

Em 1981, transferida de volta para o Convento Santa Clara, ela assumiu a posição de Sacristã da Capela, onde gostava muito de trabalhar, sentindo uma proximidade especial a Deus enquanto limpava o assoalho, lavava e passava os paramentos, arranjava o altar para as missas e outros serviços, escolhia as vestimentas dos celebrantes e cuidava dos aspectos práticos das Liturgias. 

Sempre depois do almoço Irmã Coletta se recolhia aos seus aposentos onde passava alguns momentos em silêncio e oração.  Costumava sentar-se na sua cadeira favorita, os pés levantados, com o livro do Ofício ou o Rosário nas mãos.  Observando-a, podíamos notar seus olhos fechados, um leve sorriso nos lábios, e uma expressão de paz e enlevo na presença do seu Divino Esposo. 

Aos 88 anos de idade, Irmã Coletta subiu numa escada pela última vez para limpar os pontos mais altos da Capela.  A partir de então, aposentou-se e foi transferida para o Lar Mercy Franciscan Terrace. A transição não foi nada fácil, mas não levou muito tempo até ela se engajar plenamente nas atividades disponíveis em seu novo lar, sem deixar de participar também de todas as atividades congregacionais, como a sua saúde permitia.  Gostava de receber visitas em seu quarto, especialmente dos parentes.

Irmã Coletta, sentiremos muito a sua falta, mas sabemos que você recebeu merecidamente um precisoso lugar nos braços de Deus.  Seu espírito, agora libertado do seu corpinho frágil, se fortalece na vida eterna onde o Senhor, na sua bondade, a acolhe entre seus Santos.  Lembre-se de nós junto a  Jesus, a quem agradecemos pela sua presença entre nós.

Irmã Arleen Bourquin, SFP



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