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O Tráfico de Pessoas: Outra Chaga de Cristo
Irmã Anne Claire Kabore, sfp Partilhamos recentemente em Dakar com outras religiosas da África Ocidental (Benin, Guiné-Conakry, Mali e Senegal) sobre nossa luta comum contra o tráfico de pessoas, especialmente mulheres e crianças. Fomos estimuladas pelos experientes funcionários da Organização Internacional para as Migrações de Roma e daqui do Senegal. A partilha foi tão profunda que suscitou em mim o desejo de trabalhar de todo coração pela cura desta outra chaga de Cristo. De fato, o tráfico de crianças nesta região é incentivado pela exploração de recursos naturais lucrativos, como as plantações e a mineração que usam muita mão de obra infantil, colocando-as em condições de vida e de trabalho muito difíceis, com dias extremamente longos e salários muito baixos, ou praticamente inexistentes. Além disso, persiste em nossos países algumas práticas tradicionais muçulmanas como a de confiar os filhos a um educador, o “marabu”. Essas práticas são motivadas cada vez mais pelo interesse econômico seja dos pais , seja dos marabus que muitas vezes se constatou serem falsos. É o caso típico da migração dos “talibés” (discípulos de um marabu), principalmente da Guiné-Bissau para o Senegal. Mas a migração dos talibés, que são forçados a esmolar para seus marabus, está se alastrando cada vez mais também a outros países.
Unindo Forças e Exprimindo Nossos Carismas Nossa rede tem uma visão bem específica: “Sensibilizadas pela amplidão do fenômeno do tráfico de pessoas no mundo, nós, as consagradas da África, queremos nos unir de ‘mão na mão’, para combater essa forma de injustiça. Assim agindo em nome de Cristo e em colaboração com outras pessoas que estão trabalhando por essa mesma causa, queremos defender a dignidade de todos”. Certa de que a felicidade consiste em ter recebido de Deus os olhos com que reconhecemos Cristo no meio de nós, especialmente nos pobres e nos desprezados, desejo ecoar essa certeza mediante esse novo ministério social que realizo com muita alegria e convicção.
“Se não cuidarmos de todos os seres, da terra, do ar, da água e de todos os dons de Deus, nenhuma forma de vida será possível, inclusive a humana.” Irmã Tiziana Longhitano, sfp
Existe hoje em dia uma consciência mais sofisticada sobre a conexão entre a natureza e a qualidade da vida humana. Nos últimos anos, nossa consciência ecológica está aumentando devido às consequências do uso indiscriminado dos recursos naturais e do abuso ambiental. Suas repercussões para a saúde humana e do planeta têm aguçado a compreensão de muitas pessoas, proporcionando a base de uma educação individual holística. A ecologia do indivíduo está começando a fazer parte daquilo que temos aprendido coletivamente. Diante da emergência do pensamento ecológico e os vários problemas ambientais, os recursos científicos e culturais oferecem uma útil contribuição. Até mesmo a teologia tem contribuido, porque para transformar as circunstâncias de modo a proteger o meio ambiente, o ser humano precisa respeitar os objetivos cósmicos em si mesmos e adequar-se a ele para que as mudanças a serem feitas não sejam excessivas, nem fora do contexto. Interconexões com o Meio Ambiente Que tal se nós, as Irmãs Franciscanas dos Pobres e nossos Afiliados fôssemos as pessoas chamadas para manter viva a consciência ambiental entre as pessoa? [Fotografias: Irmã Tiziana Longhitano] Curar nossas Crianças: “Enquanto Irmã Franciscana dos Pobres, ela considera seu ministério junto ao Programa CASA como alguém que se coloca do lado dos pequeninos de Deus e fala por eles...” Associate Leah Curtin
No dia 27 de maio, durante a 22ª Premiação Anual do Programa C.A.S.A., Irmã Arleen Bourquin recebeu o Prêmio Estrela de Ouro pelo seu trabalho voluntário junto ao Programa C.A.S.A. – Court Appointed Special Advocate (Mediadora Especial Nomeada pela Corte de Justiça), criado em 1977 para garantir que as crianças que sofreram abusos ou negligência no próprio lar não continuem sofrendo o mesmo nas mãos do sistema judiciário. Enquanto mediadores treinados, os voluntários do Programa C.A.S.A. são nomeados por juízes de direito para dar um voz a esses menores em juízo. Ao apresentar Irmã Arleen, a diretora do Programa C.A.S.A. se expressou desta maneira: “Ela é uma corajosa defensora das crianças que tem facilidade em estabelecer um relacionamento com elas e também com os adultos envolvidos em cada caso. Por exemplo, quando apareceu uma mãe necessitada de roupas para seus quatro filhos pequenos, foi Irmã Arleen quem conseguiu provindenciar o necessário. Ela ama profundamente as crianças, acredita que precisam ser protegidas e faz tudo o que pode para melhorar a vida delas. Nossos parabéns a Irmã Arleen Bourquin que recebe o prêmio Gold Star Award e nossa gratidão por tudo aquilo que tem feito.” Nossos cumprimentos, Irmã Arleen! O Amor Misericordioso Cura o Mundo “Amem-se uns aos outros assim como Eu os amei.” (João 13,34)
Afiliada Elizabete de Fátima Bette Câmara – Jataí, Goiás … Está caído à beira da estrada!
Olhando as frases acima, talvez nos lembremos de alguma manchete nos jornais, de tão violentas. Talvez lembremo-nos de Cristo, com suas chagas. Talvez nos lembremos de uma parábola bíblica: a do Bom Samaritano. Não, caros irmãos, não estamos falando do homem que mostra-nos a parábola do Bom Samaritano. Estamos, sim, falando do nosso mundo, que, hodiernamente, encontra-se ferido, com as chagas abertas. Suas feridas são resultado da violência, da intolerância, do egoísmo, do preconceito. Vê-se o mundo e a humanidade violados em seus direitos à vida, à dignidade, à saúde, ao trabalho, à educação, e tantos outros. O Bom Samaritano, ao ver aquele pobre homem caído à beira da estrada, machucado, precisando de ajuda, não se deixou levar por mesquinharia, por preconceito. Ao contrário, agiu como todo cristão deveria agir. Esqueceu que aquele ali caído era “um inimigo” e dispôs-se a “fazer o bem, sem olhar a quem”. Outro exemplo de doação, é Madre Teresa de Calcutá, que dedicou sua vida a curar as feridas dos enfermos, feridas da carne, feridas da alma. Esta mulher deixou-nos o exemplo de doação, de humildade, de serviço. E nós, que dizemos ser cristãos, o que estamos fazendo para curar as feridas do mundo? Estamos sendo o Bom Samaritano? Estamos seguindo o exemplo de Madre Teresa? Estamos vivendo como Jesus nos ensinou? Somos chamados à Contemplação Ativa Esse é o maior de todos os mandamentos, onde deve estar fundamentada nossa obrigação de cristão: amar! Amar sem preconceito, amar sem interesses, amar sem resignação. O mundo encontra-se ferido e anseia por nossa misericórdia. Esse amor misericordioso, o grande mestre Jesus Cristo deixou bem claro, quando contou aos seus discípulos a parábola do Bom Samaritano. E é essa misericórdia, fundamentada no amor, que devemos usar para curar as feridas do mundo, da humanidade: “Não há maior amor que dar a vida pelo irmão” (João 15, 13). Que o amor seja o remédio capaz de tornar esse mundo melhor! E que vejamos nossos irmãos sempre como nosso próximo! Vamos! Usemos de misericórdia para com o mundo e para com a humanidade!
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