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Reflexões sobre a Comunidade da Vida Queridas Irmãs e caros Afiliados, Nas últimas semanas, passei um tempo considerável pensando sobre a Diretriz do Capítulo: “Gerar esperança e compaixão na comunidade da vida”, e mais especificamente, contemplando a última expressão dessa frase: “a comunidade da vida”. Até que ponto devemos estender esse conceito? Certamente, ele inclui a inteira criação divina. Considero-me entre as pessoas que concordam com o Rei Davi: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Dia após dia, eles declaram a sua mensagem e noite após noite, revelam a sua sabedoria.” (Salmo 19, 1-2).
Ainda me lembro de uma noite fria de outubro na Croácia, de um anoitecer na periferia de Beijing, e de uma noite espetacular no planalto da Nação Navajo, ocasiões em que o céu, tingido de negro e tão densamente cravejado de estrelas cintilantes, parecia ao alcance dos meus dedos. A grandiosidade e magnificência da galáxia fazia sentir-me absolutamente insignificante, mas ao mesmo tempo, à vontade e até mesmo reconfortada, como se aquelas estrelas fossem indício de um Amor maior que cuida de mim. E por que? É tão simples quanto isso, mas talvez tudo seja mais profundo. As Escrituras reivindicam de maneira estupenda que esse Deus transcendente, o mesmo que lançou cem bilhões de galáxias pelo espaço, é como uma mãe atenta, ou um pai carinhoso que cuida de cada ser humano, que ouve cada um dos nossos pedidos de ajuda e que intervém em nosso favor. A essa incrível alegação que Deus me ama e que cuida de mim pessoalmente, o Evangelho acrescenta a surpreendente pretensão que Eles nos amou de tal maneira que nos enviou o seu único Filho... para salvar-nos de nós mesmos! Magnífico!
Atualmente, e de modo bastante extraordinário, estamos decifrando, pela boca dos cientistas, a linguagem com que Deus criou a vida. Ficamos cada vez mais admirados com a complexidade, a beleza e o prodígio do mais sagrado e genuíno dom de Deus. As descobertas de Albert Einstein e aquela que hoje em dia chamamos de “perspectiva quântica” determinam mudanças chocantes na nossa maneira de contemplar o universo, de nos percebermos no mundo, e da realidade como um todo. Os cientistas já provaram que vivemos num contexto de absoluta consciência e interconexão e que as antigas distinções entre a matéria e o espírito, na verdade, nunca existiram! Realmente, somos um único ser! Deus fez tudo o que existe a partir da sua própria essência divina. E a ciência está nos conduzindo à borda daquilo que Jesus quis dizer, quando afirmou: “Aquilo que fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes!” (Mateus 25, 50) É incrível! Fazemos parte dessa realidade. Intimamente, ao nível mais fundamental. Aquilo que pensamos, as opções que assumimos e as coisas que fazemos, afetam o todo! Assim como nossa negligência, abuso e dominação. A Diretriz Capitular encara tudo isso diretamente, chamando-nos a viver verdadeiramente o Cântico da Criação de São Francisco de Assis: “... Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas ... Irmão Sol ... Irmã Lua ... Irmão Vento ... Irmã Água ... Irmão Fogo ... Mãe Terra ... “ Assim como Francisco esclarece em palavras escritas há tantos séculos, todos fazemos parte da família de Deus... E como somos abençoados por querermos gerar esperança e compaixão nesta estupenda comunidade da vida! Pace e bene!
Como Estamos Fazendo, nos Estados Unidos Irmã Arleen Bourquin, SFP Um dos aspectos mais estimulantes do nosso Capítulo Geral de 2008 foi a elaboração da Declaração de Visão que incorporou as idéias de todos os Membros do Capítulo, usando o menor número possível de palavras, um declaração que fosse fácil de ser lembrada. Para algumas pessoas entre nós, essa declaração já está se tornando uma força motivadora, uma afirmação que nos estimula a avaliarmos o nosso desenvolvimento enquanto membros da comunidade da vida. Quando foi que dei alguma esperança a alguém? Ou a mim mesma? Estou tratando os outros com compaixão? Estou sendo compassiva para comigo mesma quando sinto que me falta energia e quando a dor atinge minhas experiências existenciais? Enquanto participante da comunidade da vida, como estou demonstrando respeito pela terra e por todas as criaturas que a habitam? Como estou mostrando respeito pela minha própria energia criativa? Ou pela energia criativa de outros seres vivos, sejam eles humanos, animais ou vegetais?
Na nossa Congregação franciscana, os esforços que temos feito para respeitar os integrantes da comunidade da vida não tiveram início com a Diretriz do Capítulo de 2008. Muitas Irmãs, Comunidades locais e Afiliados têm se empenhado há muitos anos em reciclar aquilo que é preciso descartar. Grandes quantidades de latas, restos de alumínio e pilhas de jornais que transportamos aos centros de reciclagem, depois de revertidos em dinheiro, serviram para sustentar vários aspectos dos nossos ministérios. Todos temos nos sentido motivados a simplificar nosso dia-a-dia, doando ítens usados que não queremos mais para as “vendas de garagem” realizadas uma vez por ano. Pilhas de roupas usadas, mas bem preservadas, foram revendidas em “mercadinhos das pulgas” da costa leste até o centro-oeste americano! Também a preocupação com o meio ambiente tem feito parte do nosso diálogo há muito tempo. Todos os esforços feitos nesse sentido têm nos ajudado a continuar o nosso ministério aos pobres que conhecemos e que passamos a cuidar enquanto Franciscanas dos Pobres. Talvez a diferença, agora, é que nossos membros e afiliados estão respondendo com uma nova motivação. O impacto da Declaração de Visão do Capítulo de 2008 está permeando a vida das Irmãs e dos Afiliados nos Estados Unidos de várias maneiras. Algumas pessoas têm procurado se perguntar nas Comunidades locais: “Como estamos vivendo a Diretriz do Capítulo? O que temos feito para gerar compaixão e esperança na comunidade da vida?” E evidente que muitas Irmãs e Afiliados têm procurado novos recursos para ampliar a visão de mundo. Recebemos cópias do livro de Margaret Galiardi intitulado “Onde Corre Água Pura: a história do universo e da fé cristã” (Where Pure Water Flows: The Story of the Universe and the Christian Faith) que esperamos usar para continuar discutindo o tema durante a Assembléia de Área, em abril. Algumas Irmãs têm assistido vídeos e lido livros para ajudá-las a refletir sobre a comunidade da vida, e têm partilhado suas reflexões em pequenos grupos. Em março, os Afiliados estarão promovendo uma oficina conduzida por Judy Cannato*, autora do livro “Assombro Radical” (Radical Amazement) para a qual convidaram outras congregações religiosas e seus afiliados. Outros exemplos de esforços que estamos fazendo para encarnar a Diretriz do Capítulo incluem a organização de uma sessão de Círculos de Vida para explorarmos juntos novas possibilidades de utilizar as dependências do Convento São Francisco, em Warwick, Nova York para continuarmos reforçando a vida da Congregação e das pessoas que vivem naquelas redondezas. Além disso, várias comunidades locais têm se reunido em serviços de oração, celebrando o Dia Mundial de Oração pela Vida Consagrada, bem como o Dia da Justiça Social. Também individualmente, algumas Irmãs e Afiliados têm procurado desenvolver atividades propícias à comunidade da vida de maneiras tão variadas quanto as suas próprias diferenças de personalidade. E você, como está realizando o chamado do Capítulo de 2008 para gerar compaixão e esperança na comunidade da vida? * Infelizmente, por motivo de saúde, Judy Cannato não poderá estar presente.
Partilhando o nosso Carisma com Afiliados e Amigos:
Casa Santa Chiara de Messina Por vários anos, a Comunidade da Casa Santa Chiara, de Messina, tem promovido experiências de profunda partilha com pessoas leigas e Afiliadas. Todos os meses nos reunimos para fazer retiros e promover oportunidades de formação. Para realizar todos os eventos, formamos uma equipe de planejamento que se reúne uma vez por ano, em setembro. Neste ano, decidimos focar o tema “Acolher o Outro”. Começamos estudando a Palavra, sob a orientação de um padre jesuíta, e observamos o que a Bíblia nos ensina sobre como receber os estrangeiros. Esteve também conosco o autor Maurizio Pallante, iniciador do “Movimento pelo Decrescimento Feliz”, contrário ao consumismo, que nos estimulou a abraçarmos um modo de vida mais frugal. Também promovemos um colóquio ecumênico muito interessante sobre o Apóstolo Paulo, com o Pastor Jens Hansen, da Igreja Valdense, de Messina. E agora, estamos programando diversos outros encontros como esses, para os quais queremos convidar a todos. Na nossa caminhada depois do Capítulo, nos esmeramos particularmente na preparação para a Festa de Madre Francisca. Decidimos preparar um serviço de orações diferente, no qual pudéssemos partilhar os talentos que temos entre nós. Formamos uma equipe de planejamento na qual incluímos Pinella, uma nossa amiga que é bailarina. Ela teve a idéia de envolvermos alguns jovens italianos e ciganos, moças e rapazes, com quem ela poderia ensaiar uma dança para ser apresentada durante a cerimônia. A idéia foi um sucesso, apesar do desafio de reunirmos num mesmo projeto pessoas vindas de culturas diferentes. A canção escolhida, “A Coberta do Mundo”, extraída do musical de mesmo nome do grupo internacional Gen Verde, fala do amor que é como uma coberta que envolve a inteira humanidade que é composta de muitas culturas, que representamos por cores diferentes. Os jovens dançavam com tecidos de cores variadas e quando os colocaram todos juntos, formaram um grande lençol colorido, que cobriu a sala inteira. Ensaiamos todas as semanas. Inicialmente, não parecia que iriam conseguir dançar muito bem, porque se distraíam muito durante os ensaios, como acontece aos jovens. Porém, ao contrário de todas as expectativas, no dia da Festa de Madre Francisca, dançaram incrivelmente bem! Vendo-os dançar juntos, não conseguíamos distinguir quem era italiano, quem era estrangeiro, e essa união foi realmente comovente. Pinella, a nossa amiga coreógrafa, assim partilhou essa sua experiência de ensinar esses jovens: Queremos convidar todos vocês para se unirem a nós e virem participar dos nossos próximos eventos! Ensaio Fotográfico
Gerando vida:
Estamos imergidos em um mundo que se comprova e se caracteriza por grave crise global e estrutural no sentido de como vivemos no planeta Terra. Surge com isso a necessidade de inovarmos constantemente os nossos ministérios, desenhando um novo perfil de atuação no Brasil. Por isso, o Projeto Educação, Cultura e Lazer, no Centro de Formação “Francisca Schervier” de Goiânia, tem como propósito essencial e final motivar e formar as pessoas para “viverem humanamente”, o que implica em assumir os princípios universais da ética, ou seja: “Amar o próximo como a ti mesmo” [Marcos 12, 31], isto é: “Faze ao outro o que queres que façam a ti” [Mateus 7,12]. Assumindo estes princípios para alcançar os nossos objetivos, ousamos propor gerarmos transformações, por meio das nossas atividades com as pessoas do nosso bairro, engendrando uma nova espiritualidade para que todos possam visualizar a direção da caminhada que têm a perfazer, com novas atitudes, resgatando todo o potencial humano existente, com tudo de belo e de bom que cada pessoa pode conquistar e oferecer. Nesta esperança, que é desafiadora, estamos atendendo 220 pessoas no Centro, entre crianças, adolescentes e adultos. Atualmente, estão sendo desenvolvidas catorze frentes de trabalho, proporcionando formação espiritual, educacional, social, cultural, promocional e assistencial a pessoas abrangendo a faixa etária de dois a setenta anos. O ano de 2009 iniciou-se com muitas surpresas para nós, pois no princípio de fevereiro o quadro do pessoal do Centro se apresentava caótico enquanto procurávamos pessoas interessadas em voluntariar nas atividades a serem desenvolvidas. Porém, com a graça de Deus e as bênçãos da Bem-Aventurada Francisca Schervier, muitos voluntários se ofereceram para colaborar conosco, todas as pessoas que precisávamos para compor o quadro do pessoal e que estão respondendo de forma excelente e entusiástica.
Entre esses voluntários, quero destacar Denise, a tradutora e intérprete do Capítulo Geral de 2008, que está nos apoiando no canto litúrgico; Maximiliano (Max), um seminarista diocesano nosso amigo, com ótima experiência no trabalho com a juventude, que nos tem ajudado periodicamente; e Ir. Ana, da Congregação das Irmãs Servas de Maria Reparadoras, que começou na semana passada a contribuir com seus dons, ensinando trabalhos artesanais. Além dos voluntários, contamos com nossas funcionárias, que prestam serviços pelo período de quatro horas diárias. Assim, tecendo os diferentes fios que a vida vai nos apresentando, permanecemos imensamente agradecidas a Deus que nos fortalece, à Congregação que nos formou e que nos orienta; e de modo muito especial, ao pessoal e à liderança da Fundação das Irmãs Franciscanas dos Pobres, que têm consistentemente apoiado esse projeto social desde 1998, proporcionando-nos as condições de desenvolvê-lo junto aos menos favorecidos, com quem estamos construindo, mediante as nossas atividades, a Comunidade da Vida, aqui em Goiânia, como uma maneira de responder à Diretriz do nosso Capítulo Geral. Copyright 2009 Franciscan Sisters of the Poor
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