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VOZES SFP

março/abril de 2011
Vol. VII, No. 2 ©

 

Neste número

Introducão
A COMUNIDADE: QUE LUGAR ABENÇOADO!
Pertencer a uma Comunidade Maior e Mais Rica
A Natureza Prática da Teologia da Comunhão

Destacando a Comunidade da Vida:
Expressões da nossa Vivência Partilhada

A Cura Mediante nossa Vida Comum

photo collage

A Vida Comunitária – ou seja, viver em união, com base no mesmo dom do Espírito, partilhando o mesmo carisma – será ainda atraente para muita gente? Como bem sabemos, a Vida Consagrada está passando por uma crise.  Muitos dos seus aspectos estão sendo questionados.  Essa é uma verdade com relação à presença de religiosos e religiosas em lugares específicos e no reestruturamento de suas obras.  Essa é também uma crise de significado, de vocação, de senso de pertença e de esperança no futuro.

Um Desafio Contra-Cultural
Existe na cultura européia uma forte tendência ao individualismo, que leva os adultos a viver independentemente.  Com isso, a opção dos religiosos e das religiosas de viver em comunidade é um fenômeno realmente contra-cultural.  Hoje em dia as pessoas estão sentindo a necessidade de se inspirar em modelos de vida baseados na simplicidade e a assumirem opções concretas e viáveis em termos de justiça social, construção da paz e salvaguarda da integridade da criação.  Na cultura religiosa sentimos ainda uma profunda necessidade de momentos de silêncio em lugares onde as pessoas possam encontrar refúgio, cura, serenidade e equilíbrio espiritual.

Nessa situação, considerando “os sinais dos tempos”, nos questionamos com a intenção de repropor, com coragem e confiança, aquilo que Madre Francisca e as primeiras Irmãs sonharam e procuraram realizar conjuntamente: não um sonho utópico, mas sim um desafio a ser enfrentado e superado.  Como parte desse desafio, precisamos dar continuidade ao carisma de Madre Francisca partilhando nossas vidas umas com as outras e com todos os leigos que encontramos, não somente com os nossos Afiliados.

A Comunidade é um Dom
A Cura Mediante nossa Vida Comumé o título de um dos capítulos das nossas Constituições. Esse tema se baseia também no conceito de comunidade e é substanciado pelo senso da fraternidade que se encontra na origem do nosso carisma franciscano.  Desde o início, São Francisco concebeu a comunidade como um dom divino, e foi assim que ele a descreveu em seu Testamento: “E o Senhor me deu irmãos!”(Testamento, 4,14).  Ele queria que os frades fossem chamados “menores”, desde o princípio:  "Todos, indistintamente, se chamem irmãos menores e lavem os pés uns dos outros”( Rnb 6,3).   Sua Comunidade nunca se considerou um grupo religioso privilegiado, como se fosse melhor do que os outros.  Dentro da Comunidade franciscana há espaço para todos: pobres e ricos, educados ou analfabetos.

Em Comunidade todos são iguais e se cuidam uns dos outros.  Esse cuidado é dirigido mais especialmente aos pobres, inclusive aos leprosos, aos doentes e mesmo aos ladrões.  Mas toda a criação participa dessa comunhão e, de fato, Francisco chamava de “irmãos” e “irmãs” os pássaros, o lobo, a lua e o sol, os vermes, as pedras e até a própria morte.  Podemos dizer que foi ele o primeiro que cantou os louvores da Comunidade da Vida.

Responder ao Desafio
Assim sendo, como podemos viver esse desafio no dia de hoje Como e onde podemos propiciar locais de comunhão e cuidado Precisamos assumir essa grande tarefa para podermos constuir nosso futuro: gerar compaixão e esperança na comunidade da vida.

Irmã Anna Ingoglia, sfp
Conselheira Congregacional da Área da Itália

Watermark Image: "Beams of Light"Artist: Mary Southard, CSJ
Courtesy of www.Ministryofthearts.org / Congregation of St. Joseph

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A COMUNIDADE: QUE LUGAR ABENÇOADO!

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Comunidade da Casa Aleluia - ela nos faz lembrar constantemente que foi um chamado de Deus que nos reuniu

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Pré-Postulantado

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Terça-feira Gorda

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Raios de Sol Franciscanos

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Grande divertimento com Irmã Gemma!

Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estarei Eu no meio deles ...” (Mateus 18, 20).  Conscientes dessa promessa de Jesus, ela nos faz lembrar constantemente que foi um chamado de Deus que nos reuniu.

Nosso Dia se Inicia . . .
Normalmente iniciamos nosso dia com a Oração de Louvor da Manhã.  Depois, com amor e bondade, saímos ao encontro de nossos irmãos e irmãs no intuito de dar uma voz a todas as criaturas, bendizendo o Senhor e cantando as suas maravilhas.  Todas as segundas-feiras realizamos a Adoração do Santíssimo Sacramento.  Depois da oração matinal, cada uma parte para o desempenho de seu ministério.

Irmã Gemma sai de casa cedinho para ir à escola.  Irmã Laura trabalha em silêncio entre uma e outra ligação telefônica, colocando-se à disposição das Irmãs, e sempre em luta para acertar as cifras da contabilidade.   Irmã Sophie se mantém num constante vaivém.  Além de se ocupar das compras para as escolas, ela se responsabiliza pela educação de quase 60 estudantes que receberam bolsas de estudo do nosso programa de “adoção” à distância.

Nosso Ministério . . .
Outras de nossas Irmãs frequentam o Centro Social coordenado por Irmã Elisabetta que, juntamente com Sylvia, leciona alfabetização.  Como temos o privilégio de partilhar nossas refeições em grupo, esses momentos são de intenso entrosamento.  A cada quinze dias temos uma reunião comunitária durante a qual cada Irmã pode livremente falar e expressar suas opiniões .  Fazemos isso para tornar ainda mais pleno o funcionamento da nossa comunidade como um lugar de perdão e reconciliação.

Uma vez por mês realizamos atividades para estabelecer regularidade no ritmo cotidiano.  Nos reunimos para partilhar a Palavra de Vida proveniente do movimento dos focolares, em momentos de intensa partilha nos quais exprimimos umas às outras como o Espírito Santo age em nossos corações ao escutarmos a sua Palavra.  Durante alguns finais de semana passamos um tempo com as jovens do “Foyer” (pré-postulantado), que estão considerando entrar para a nossa Congregação.  Realizamos também encontros regulares dos Afiliados e organizamos as reuniões dos dois grupos “Raios de Sol”, o de homens e o de mulheres.

Estamos também engajadas nas atividades da Paróquia de Maria Imaculada em Parcelles Assainies onde assistimos a Liturgia Eucarística diariamente, ensinamos catequese e nos entrosamos com os paroquianos.  Temos também participado dos eventos principais da paróquia tais como a Peregrinação em Monte Roland realizada no dia 27 de março, em preparação para a celebração do Jubileu dos 25 Anos da Paróquia.

Nossa Comunidade é um Lugar de Passagem e de Acolhida . . .
Nossa comunidade local é, para nós, um lugar abençoado onde podemos experimentar a alegria de nos sentirmos em família, apoiando-nos mutuamente em escuta e oração.  Nossa coragem e senso de responsabilidade nas diversas atividades são fatores positivos que tornam a comunidade um lugar de paz e comunhão.  A Comunidade da Casa Aleluia é um lugar de passagem e de acolhida para as  Irmãs de outras comunidade e isso é para nós um motivo de grande alegria e convívio.

Apesar de tudo, nossa bela vida comunitária também tem seus desafios.  Passamos momentos de tensão por falta de compreensão e consistência entre nossas belas orações e nossas fraquezas devido à natureza humana, ferida pelo pecado.  De vez em quando o desânimo nos assola, mas percebemos que os desafios que sentimos são muitas vezes motivados pelas nossas diferenças culturais.  Às vezes não vemos as coisas da mesma maneira que as outras porque nossa sensibilidade pode variar, seja por diferenças generacionais ou caracteriais, que tendem a ser os motivos mais comuns de divergências de opinião.

Num mundo em que a tecnologia se torna cada vez mais eficiente, tiramos proveito dos seus progressos na nossa vida em comum.  Encontramos por exemplo na Internet alguns belos recursos em PowerPoint que nos ajudaram a preparar-nos para o Advento.  Em outubro, assistimos também transmitida ao vivo a cerimônia de beatificação de Chiara Luce Badano, a primeira membro do Movimento dos Focolares a ser beatificada. o que nos encheu de alegria e felicidade.

O Milagre que é a Comunidade da Vida
Vemos o futuro da nossa vida comunitária com grande expectativa e entusiasmo por ser um dom de Deus à Igreja.  Esperamos que este modo de viver possa ser penetrado pelo Evangelho de modo que ele possa ser vivido e nos venha encher de esperança porque, se não for assim, as disfunções da sociedade secular ganharão terreno em nossas comunidades.

A vida comunitária é um milagre permanente.  Esperamos que São Francisco e a Bem-Aventurada Francisca nos ajudem a manter nossas comunidades como legítimos lugares de cura.  Mediante sua poderosa intercessão, possamos nós oferecer ao próximo, e mais especialmente aos mais pobres, a consolação que eles esperam encontrar entre nós!

As Irmãs da Casa Aleluia
Ir. Laura Cantello
Ir. Sophie Dioh
Ir. Elisabetta La Manna

Ir. Gemma Toupane

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Pertencer a uma Comunidade Maior e Mais Rica

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Hora de oração no Noviciado
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A Comunidade da Casa Santo Antônio
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A Comunidade da Casa Betânia

No sábado, 26 de fevereiro de 2011, Cinzia la Calce ingressou no Noviciado, a Casetta Nova, em Frascati, o que foi um dom para a Área da Itália e para a inteira Congregação.  Nós nos congratulamos com ela e pedimos para partilhar conosco sobre a sua experiência em Pré-Noviciado feita nas Comunidades da Casa Santo Antônio em Frascati e da Casa Betânia, em Pistóia.  Nesta última cidade, Cinzia trabalhou como médica radiologista num hospital local.

Durante estes últimos dois anos fui compreendendo cada vez mais claramente que a caminhada de discernimento que eu já havia iniciado era, em si mesma, um dom.  Era como se eu fosse uma dessas bonequinhas russas dentro da qual eu encontrava um dom ainda maior, o da vida comunitária.

Vivi uma parte da minha experiência do Pré-Noviciado na Comunidade de Formação em Frascati, e outra parte na Comunidade da Casa Betânia em Pistóia, que me ofereceram oportunidades de vivência comum em circunstâncias que poderiam ser consideradas fora do usual, mas que para mim foram totalmente providenciais.

Foi através dessas vivências que descobri que pertencia simultaneamente a dois tipos de comunidade e compreendi de na verdade pertencer a uma comunidade maior e mais rica: a família das Irmãs Franciscanas dos Pobres.  E que essa Comunidade tem seu próprio estilo único que se expressa em modos diferentes.

Aprendi a viver em comunidade como uma “filha” que aceitava e apreciava os dons e  instrumentos que me eram oferecidos para ir nutrindo o meu crescimento.  Sentia-me muito atraída a viver de um modo que talvez fosse mais exigente, mas que era mais bonito, porque me fazia sentir como “uma irmã entre irmãs” na nossa troca mútua de atenção e amor.

Atraída e surpresa pelas muitas maneiras que o nosso carisma se manifestava e como ele construía a Comunidade gracas ao ministério de cada Irmã, procurei oferecer minha pequena contribuição servindo meus irmãos e minhas irmãs doentes num hospital.

Mesmo o serviço mais simples das tarefas domésticas e na cozinha me ajudaram a aprender que eu podia fazer a minha parte com alegria, pelo bem comum.
Cinzia La Calce

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Quadro criado durante a oração apresentando os ministérios das Irmãs na Itália

A Casa Betânia aspira evocar aquela “casa em Betânia” que Jesus visitava como um amigo.  Reafirmando a hospitalidade como um dos objetivos da nossa comunidade local, não sabíamos quem poderia ser o próximo “Jesus” que viria bater à nossa porta.  Como foi grande a nossa surpresa ao descobrimos que era a nossa Pré-Novicia!  Mas esse fato não foi somente um novo desafio para nós, pois também nos ofereceu uma oportunidade de crescer em confiança e aceitar os planos de Deus que se manifestavam com essa novidade.

Durante a nossa caminhada comum, recebemos a graça de nos sentirmos Filhas de Madre Francisca juntamente com Cinzia, que se oferecia a Deus pela humanidade pobre e sofredora, e nos descobrimos mutuamente enriquecidas com essa experiência.

No desejo de partilhar conosco sobre o seu ministério no hospital, Cinzia abriu nossa casa aos seus colegas que vieram para jantar, fazendo com que tambémnós pudéssemos participar daquele outro mundo em que ela vivia.

No passo que Cinzia acabou de assumir, contemplamos a ação de Deus que vai muito além da nossa pequenez, pois Ele usa todos os meios e todas as pessoas para realizar o seu plano de amor para cada criatura.

As Irmãs da Casa Betânia
Ir. Giovanna Dada

Ir. Vincenza Scassillo
Ir. Tindara Ventimiglia

Enquanto Comunidade de Formação, partilhamos com Cinzia no seu discernimento em suas várias caminhadas, estudos e estágios, alternando períodos em que convivíamos com ela e outros em que ela precisava se ausentar e acabava indo para bem longe.

Nosso dom se consistia em ampliarmos o espaço da acolhida e da participação para ajudarmos Cinzia a estabelecer uma vida comunitária normal toda vez que voltava a viver conosco.  E o nosso desafio estava em considerá-la como um membro da comunidade plenamente integrado em todos os aspectos, o que exigia uma maior flexibilidade no nosso planejamento, além de estabelecermos uma colaboração com a Comunidade de Pistóia para poder garantir a ela um crescimento holístico.

Apreciamos muito tê-la visto florescer e assumir ativamente o seu desejo de seguir os passos de Jesus, com todas as alegrias e dificuldades que advém dessa opção.

As Irmãs da Casa Santo Antônio
Ir. Viera Farinelli
Ir. Jenny Favarin
Ir. Raffaella Maresca
Ir. Michela Refatto

Ir. Marina Triglia
Ir. Giuliana Vitale

Membro do Noviciado:
Cinzia La Calce

O dia 26 de fevereiro, que marcou o ingresso de Cinzia no Noviciado, nos ofereceu uma oportunidade de agradecermos a Deus por trabalhar em cada uma de nós e pelo “tijolinho” que Cinzia então ofereceu para a construção da nossa bela vida comunitária.

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A Natureza Prática da Teologia da Comunhão

“Para viver em comunidade é preciso doar, ceder e perdoar”
[Madre Francisca Schervier]

Irmã Marie Clement Edrich, SFP

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Irmã Marie Clement Edrich antes de
cortar seu bolo de aniversário

É sempre muito bom e apropriado falar em comunidade e estudar a teologia da comunhão, mas é muito mais importante compreender como se pode usar essa compreensão em algo prático para a vida diária.  Sem dúvida é por isso mesmo que passamos algum tempo discutindo, orando e procurando viver essa “espiritualidade da comunhão” que estudamos congregacionalmente alguns anos atrás.

Como é fácil cair na ilusão que estruturas externas podem nos propiciar a comunhão!  Não é assim porque elas não conseguem fazer isso.  Morar sob um mesmo teto não significa viver em comunidade.  As pessoas podem coabitar numa mesma casa sendo muito indelicadas e pouco caridosas umas com as outras –  que é o oposto da vida comunitária.

Chamar alguém de “Irmã” não basta se você não está disposta a procurá-la quando ela mais precisa, ou interpelá-la quando você está precisando de alguma coisa.   Podemos estar há quilômetros de distância de uma outra pessoa e ainda assim nos sentirmos em comunhão com ela.  Algumas “comunidades” são formadas por pessoas que vivem vidas completamente separadas, indiferentes às alegrias e tristezas umas das outras, sem nunca encontrar tempo para cuidar de quem lhes está mais próximo.  Viver em comunidade é algo tão realista para mim!  É um dom tanto para mim mesma como para as outras.  Viver em comunidade significa não tanto evitar se irritar com a outra quanto reconhecer, com alegria, o grande dom que ela é em si e por si mesma.

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O Cerne da Comunidade é o Amor
Relendo algumas partes da Carta Apostólica de João Paulo II sobre a “espiritualidade da comunhão”, intitulada “Novo Millennio Ineunte”, senti-me tocada por vários tópicos.  O primeiro foi a referência à Santíssima Trindade como o perfeito exemplo de comunidade: o Pai amou o Filhe esse amor foi tão verdadeiro que se tornou a terceira Pessoa: o Espírito Santo  consolador.

E esse amor, sendo tão real, se extravasou para incluir a inteira criação.  Por isso, o cerne da comunidade é o amor, manifestado de maneira prática na cortesia, na afabilidade, na preocupação pela outra pessoa e no suporte estendido a ela, especialmente nos momentos de provação.  Bem sei que isso é algo ideal.  Mas foi por isso mesmo que, na sua sabedoria, Madre Francisca nos aconselhou a “ceder”, mesmo quando achamos que estamos absolutamente certas, e a “perdoar” as outras pessoas, porque sem dúvida alguma também nós precisamos de perdão.

A espiritualidade da comunhão significa que encontramos tempo para estar com as outras pessoas.  Que não nos deixamos absorver tão completamente pelos nossos projetos ou preocupações pessoais ao ponto de não encontrar tempo ou de fazer um esforço para ouvir o outro, para partilhar nossas alegrias e tristezas, servindo de estímulo e suporte mútuo. O cerne da comunidade é o amor recíproco, o nosso amor partilhado com Deus e com os outros, o qual, por sua vez, nos proporciona o anseio de sair em busca do próximo para ajudá-lo, para curar sua ferida e conviver em comunidade, pois assim, o prêmio que receberemos será centuplicado!

Um Salto de Fé que Frutifica
Muitos anos atrás, quando eu servia na Itália, as Irmãs Benedicta Scheidweiler, Cristina Di Nocco, Annunciata Marino e eu tivemos a idéia de abrir um Centro Juvenil, ao lado do nosso Noviciado, em Vermicino, perto de Roma.  Queríamos abrir nossas portas às jovens que nos rodeavam para partilhar com elas a experiência da vida comunitária franciscana, oferecendo a elas uma oportunidade de convívio e um modo de vivenciar os valores evangélicos na concreteza do dia a dia.  Concordávamos que esse Centro Juvenil deveria permanecer aberto às jovens interessadas na experiência comum da Vida Evangélica junto às nossas Irmãs.

Quando submetemos essa idéia à Liderança Congregacional, fomos muito questionadas:

  • Quantas jovens deveríamos acolher?  (Não sabíamos.)
  • Quanto iria custar?  (Não fazíamos idéia.)
  • Como essas jovens iriam conseguir se sustentar?  (Não tínhamos a menor noção!)

E as perguntas não pararam por aí.  Não tínhamos como respondê-las até que, finalmente, Irmã Rose Margaret Delaney, nossa Ministra Congregacional daquela época, nos disse: “Bem, parece que vamos precisar dar um salto de fé!”  Contra todas as dúvidas e incertezas, nosso projeto foi aprovado.  Apesar de muitas das jovens que lá conviveram terem depois optado pela vida matrimonial e a maternidade, outras preferiram se tornar Irmãs Franciscanas dos Pobres, como resultado da vivência dos valores evangélicos em comunidade e como parte do cêntuplo prometido.

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Estender Comunidade para Abraçar os Outros
Vivo hoje em comunidade sob o mesmo teto com duas outras Irmãs, mas nossa comunidade se estende para abraçar outras duas Irmãs que estão morando em lugares distantes, além de uma das nossas Afiliadas.  Nos reunimos de vez em quando para partilhar e verificar “em que ponto nos encontramos e o que estamos fazendo” e para orar juntas.  Também colhemos um tempo – marcando encontros se for preciso – para celebrar em comum certas datas: nossos natalícios, o dia do santo de cada uma, jubileus, festas e formaturas.  Procuramos também nos manter disponíveis umas às outras nos momentos difíceis quando um ente querido corre perigo de vida ou vem a falecer, ou quando uma de nós está precisando de compreensão e de suporte.   Não somente oramos em comum, como também umas pelas outras.  Do ponto de vista prático, a maneira de demonstrar a vivência em comunidade envolve trabalho, oração, a interação recíproca e o suporte mútuo em momentos de crise pessoal.

Porém, nosso conceito de comunidade não se limita às pessoas que constituem parte formal da nossa pequena comunidade.  Por isso, observamos por exemplo que:

  • Uma de nossas Irmãs está envolvida em muitas atividades na paróquia que frequentamos.
  • Nossa casa fica sempre à disposição de quem vier partilhar nossas celebrações e orações;
  • Somos muito conscientes, inclusive em oração, de todas as Irmãs Franciscanas dos Pobres servindo na Itália, no Brasil, no Senegal e nas Filipinas;
  • E além disso, procuramos nos envolver também a serviço da ampla Comunidade da Vida...

Abrir Espaço para nossas Irmãs e nossos Irmãos
Finalmente, a espiritualidade da comunhão significa “abrir espaço” para nossas Irmãs (e irmãos!); de modo a “carregar o peso uns dos outros” (Gl. 6,2) e para sentir as alegrias vindas da presença de outros indivíduos em nossas vidas.  Quanto ao futuro da comunidade religiosa, não tenho nenhuma previsão, mas ao menos de uma coisa estou segura: as pessoas serão pessoas e a necessidade humana de inter-relacionamento, de amor recíproco, de interconexão, de união e de comunidade, estarão sempre conosco!

Os Membros da Comunidade da Casa de Paz Pinecroft em Cincinnati:
Irmã Maria Grazia Attanasi (até junho de 2011)
Irmã Dorothy Ann Bolser
Irmã June Casterton
Irmã Marie Clement Edrich

*Watermark image "Angels" by Luiza Vizoli

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