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Queridas Irmãs, caros Afiliados e Amigos,
O Espírito Santo dotou plenamente a Bem-Aventurada Francisca Schervier com o nosso carisma de cura no domingo de Pentecostes de 1845. Sua vida acendeu uma chama que se propagou através do globo terrestre e que até o dia de hoje continua a arder em nossos corações. Este número de maio de Vozes SFP celebra a profundidade e rica diversidade dos meios pelos quais o carisma continua aceso entre nós até hoje.

Salvador Dali – Appearance of
the Tongues of Fire (1967) |
Neste número, nossos leitores poderão descobrir como o Espírito de Deus nos fala de uma nova maneira, enquanto ...
- A Área do Brasil conduz uma entrevista com Irmã Bernadete Batista, que partilha sobre ser um instrumento da presence de cura de Deus.
- Irmã Giovanna Dada, da Área da Itália, fala sobre o amor sanador das Irmãs e das pessoas amigas que a têm ajudado a experimentar uma compreensão mais profunda da cura em si mesma e nos outros.
- O Afiliado do Senegal, Léopold Bianquinch explica a experiência de transformação na sua prória vida graças ao heróico testemunho das nossas Irmãs.
- Irmã Joanne Schuster, Conselheira Congregacional da Área dos Estados Unidos, nos oferece num artigo profundo sobre como se tornar um centro para receber e transmitir o amor sanador de Deus através do simples ato de imposição das mãos, dentro de um Círculo de Cura.
Que o mesmo Espírito de Deus que ardeu no coração da Bem-Aventurada Francisca mais de 165 anos atrás possa arder em seus corações enquanto apreciam este número de de Vozes SFP!
Unida como sua irmã,
Marilyn Trowbridge,sfp
Conselheira encarregada das Comunicações |
[Bem-Aventurada Francisca Schervier, desenho proveniente do site das Irmãs dos Pobres de São Francisco, usado com permissão.]
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APROFUNDAR NOSSA COMPREENSAO DA CURA

“Nos pobres e sofredores reconheci o meu divino Salvador
como
se o houvesse visto com meus próprios olhos
...” (Madre Francisca)
Introdução à entrevista
Madre Francisca desde criança tinha um desejo imenso em ajudar os outros, ela foi fiel e aberta à graça de Deus. Ele foi misericordioso para com ela, marcando-a com o seu selo de amor, as profundezas do seu ser, fazendo-a desdobrar-se cada vez mais no serviço ao próximo. Ela buscou incansavelmente a vontade do divino Mestre, se desdobrando sem medidas nesta senda por ela encetada. São poucos os que acham o caminho e perseveram nele, devido os obstáculos oferecidos pelo trajeto, as incertezas, a escuridão a dor, os medos...
A exemplo dela existem pessoas consagradas no nosso tempo que respondem aos apelos de Deus se dedicando em servi-lo com amor, carinho, perseverança e zelo. Por isso hoje estou entrevistando a nossa querida Ir. Bernadete que tem dado continuidade ao Carisma de Cura da nossa fundadora, servindo os pobres, doentes, excluídos e necessitados de sua cidade em Ipameri.

"m primeiro lugar eu penso que tenho que buscar constantemente a minha própria cura, para ser esse instrumento..."
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—Ir. Maria Lúcia: Ir. Bernadete a senhora se sente uma co-participante do ministério de cura de Jesus?
—Ir. Bernadete: Sim!
- De que forma a senhora tenta expressar a sua co-participação, nesse ministério?
—Quando estou servindo aos meus irmãos enfermos, visitando-os em suas residências. Sendo uma presença consoladora, quando eles perdem um ente querido. Provendo as necessidades básicas dos pobres, que são excluídos da sociedade. Promovendo os jovens proporcionando o aprendizado de trabalhos manuais que os inserirão no mercado de trabalho.
— Como à senhora pensa que pode aprofundar nesse processo de Cura?
— Em primeiro lugar eu penso que tenho que buscar constantemente a minha própria cura, para ser esse instrumento. O mais difícil, eu penso, é ser esse instrumento para os mais próximos que são os da minha própria comunidade, onde eu convivo diariamente. Essa busca está dentro do processo de conversão continua. Eu a busco através da oração, do diálogo, no convívio com a comunidade, na partilha de vida...
— A senhora tem descoberto novas maneiras de ser instrumento de cura?
— Sim! Eu fiz uma experiência diferente que me trouxe muita alegria. Apareceu lá em casa um andarilho (mendigo) que bebia muito e vivia andando de cidade em cidade. Ele pedia alimentos e roupas, e eu dava alem disso o meu tempo dialogando com ele, fazendo o sentir um filho amado do Pai. Ele foi adquirindo confiança e um dia me pediu para fazer contato com sua mãe. Escrevi uma carta a ela, juntamente coloquei o numero de nosso telefone para que ela pudesse entrar em contato conosco. Marquei o dia para ele vir falar com ela. Qual não foi a alegria daquela mãe saber que o seu filho estava vivo e sendo cuidado por nós, e dele também em poder falar com sua mãe depois de tantos anos que estava distante. Esse jovem nos marcou mais do que outros andarilhos que nós já havíamos ajudado.
— Irmã Bernadete, muito obrigada por sua abertura, seu trabalho e generosidade em servir. Que Madre Francisca continue te abençoando e cobrindo-a de benções.
— De nada, espero ter contribuído com minha experiência. Até a próxima, se Deus quiser.
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Aprofundar minha Compreensão do nosso Carisma de Cura
“...Ofereço meus serviços de graça, impelido pelo amor...”
Afiliado Léopold Bianquinch

Léopold testemunhando o Carisma SFP |

As crianças durante a aula |
Enquanto Afiliado do Senegal, procuro exprimir o carisma das Irmãs Franciscanas dos Pobres na minha vida através do meu testemunho nas atividades do dia-a-dia. No campo da educação, acompanho crianças do curso primário e jovens do secundário, que me oferecem uma pequena paga. Mas às vezes vêm me procurar crianças cujos pais não têm condições de pagar coisa alguma. Então, ofereço meus serviços de graça, impelido pelo amor.

Um aluno de Leo |
Este é o meu modo de viver o carisma de cura, que na verdade mudou a minha vida. Tenho aprofundado minha compreensão do mesmo através dos anos do meu compromisso de Afiliado, procurando imitar Madre Francisca Schervier, que disse:
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"As palavras simplesmente não podem nada..."
- "Agradeçamos ao Senhor do fundo do coração pelas graças que nos concedeu no seu imenso amor fazendo um esforço para colaborar com fidelidade..."
, além deste maravilhoso pensamento seu:
- "Espero que aproveite plenamente tudo aquilo que Deus faz pelo seu bem e isso poderá acontecer se fizer um esforço para caminhar sempre no espírito da fé."
Essas palavras me tocam profundamente, marcando o mais profundo do meu ser, graças ao testemunho das Irmãs. Muitas vezes me pergunto – se as pessoas ficassem somente falando sem fazer nada, [quando sofri uma falha renal] minha vida teria se acabado em 2005! É com grande simplicidade, mas acima de tudo, com uma coragem heróica, mediante ações concretas, que as Irmãs têm realizado aquilo que disse Madre Francisca e graças às suas realizações muitas pessoas – mulheres, homens e crianças — estão podendo florescer com dignidade.
Quero agradecer sinceramente às Irmãs por tudo aquilo que fizeram por mim e desejar a todas muita coragem na sua jornada pelos caminhos do mundo.
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Um Amor Sanador
“ . . . o amor das Irmãs ..., permitiu-me sentir como o nosso carisma de cura está vivo e é ativo.”

Irmã Giovanna Dada no Centro de Acolhida
Irmã Giovanna Dada, SFP

A Comunidade da Casa Betânia, da dir. p/ esq.: Irmãs Francesca Maria Tramonte, Tina Ventimiglia, Vincenza Scassillo, Giovanna Dada. |
Coloco-me na presença de Deus, o coração cheio de maravilha e gratidão por este momento em que ele me concede o dom sanador da sua Palavra, aquela que Ele semeou no meu coração durante um retiro, que continuou crescendo dentro de mim, e que agora está produzindo frutos.
Sinto-me agradecida pela preocupação, pelas orações, pelo amor e pela atenção de minhas queridas Irmãs e de meus caros irmãos que estão seguindo comigo nesta caminhada. Estou aprendendo a me ver assim como Deus me vê, contente com a sua criação. Não foi nada fácil nem é fácil ainda acreditar que tudo aquilo de bom que os outros veem em mim é aquilo que Deus também vê e que isso é, na verdade, quem eu sou.
O Milagre da Cura que Deus Continua a Produzir
Desde quando comecei a acolher o olhar de amor de Deus para comigo, sinto como se minhas chagas estivessem sendo curadas. Aquele olhar me dá paz e muda a maneira pela estou desempenhando o meu ministério aos idosos e aos doentes. Relaciono-me com eles da maneira mais simples, como uma irmã, dando o espaço que eles necessitam para me contar sobre quem são. Eles falam da sua solidão, das preocupações que têm, dos seus sofrimentos, da sua ansiedade e de como precisam aceitar tudo e tudo manter "em segredo". Chegava às vezes a me perguntar se era realmente merecedora de todas as bênçãos que eles invocam por mim quando vou visitá-los. Mas agora estou compreendendo que, por mais que eu acredite que Deus me instrumentaliza para cuidar dessas irmãs e desses irmãos, o milagre de cura dentro de mim e ao meu redor, acontece novamente.

Rembrandt van Rijn – A Volta do Filho Pródigo (1669) |
Aprendi como é importante cuidar de mim mesma e permitir que os outros cuidem de mim. Isso me ajuda a crescer com eles assim como sou, exprimindo a presença do amor sanador de Deus. Especialmente no ano que se passou, o amor das Irmãs que cuidaram de mim muito mais do que eu teria cuidado, permitiu que eu sentisse como o nosso carisma de cura está vivo e é ativo.
Peço a Madre Francisca em oração para continuar caminhando comigo e me dando o seu apoio, à medida que vou caminhando "de volta para casa", para os braços abertos com que o Pai espera por mim, ouvindo sua voz que me diz novamente que sou preciosa ao seu olhar, digna de respeito e que sou amada completamente.
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| CÍRCULOS DE CURA: O QUE SÃO E COMO FUNCIONAM |
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Irmã Joanne Schuster, SFP
Quantas vezes procuramos fazer fluir o poder criador de Deus através de nós mesmos, quando dizemos: "Oh, meu Deus, faz isso ou aquilo!" Se Ele não faz nem uma coisa nem outra, naturalmente duvidamos em segredo tanto da sua boa-vontade quanto da sua capacidade de realizar aquilo que pedimos. Não duvidamos da nossa própria capacidade de chegar à sua presença ou de nos imbuirmos do seu Espírito, mas sim da disponibilidade de Deus em se aproximar de nós e permear-nos da sua presença, apesar de Jesus ter nos garantido repetidas vezes que para o seu Amor tudo é possível e apesar do fato que acreditamos nisso piamente ainda que, no fundo, achemos que isso é próprio dos apóstolos e dos santos, mas que não é para nós.
No entanto, através do simples ato de impor as mãos sobre alguém, podemos nos tornar um centro de recepção e transmissão do amor sanador de Deus. É natural o impulso de segurar a mão de alguém com febre, de alisar uma fronte dolorida, ou carregar nos braços uma criança manhosa. Mas sempre que fazemos algo assim, estamo transmitindo o poder do amor recíproco!
Fisiologicamente falando, o menor toque desencadeia uma cascata de mudanças químicas no corpo humano. Psicologicamente, expressamos o poder do amor ao próximo não por meio de uma compreensão mental, mas sim através da ternura que vem do coração. Atualmente, as ciências nos informam que vivemos num mundo de absoluta interdependência e consciência mútua, e que aquela diferença entre a matéria e o espírito já se tornou obsoleta. Tudo é energia ou espaço, e a única diferença entre os dois é a densidade da energia e o nível da sua vibração. Até mesmo o pensamento é energia, nos dizem os cientistas. E o pensamento afeta tudo o que o cerca. Aprender a captar essas informações e conscientemente aplicá-las de maneira orante é a verdadeira essênca da oração de sanação.
O Método de Cura que Jesus Usou e Ensinou aos seus Discípulos
O mais antigo e o mais poderoso método de cura é aquele que foi usado por Jesus, o mesmo que ele ensinou aos seus discípulos. Interpondo inteirament o seu próprio ser entre Deus e o necessitado de cura, Ele aplicou corpo e espírito. Quase sempre foi Jesus que tomou a iniciativa de ir ver a pessoa que precisava ser curada. E não lhes ofereceu somente uma oração, mas também a sua presença física e a ternura humana do seu amor. Depunha as mãos sobre os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos para que a energia de Deus fluísse para o corpo dos doentes não somente através do seu espírito e da sua mente, mas também das suas mãos. Deus realmente realiza prodígios através de nós...
• É provável que quando nos reunimos num círculo de cura, a eficiência da oração aumente exponencialmente. (Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. – Mateus 18, 20)
• Para otimizar a eficiência do grupo é preciso que os participantes se unam conscientemente entre si, dando-se as mãos em atitude orante, por exemplo. É importante que passem um tempo assim, orando juntos, antes de verem o “paciente”.
• Quando o grupo estiver pronto, pessoa que estiver liderando, deverá convidar o “paciente” a vir sentar-se no meio do círculo e daí explicar aquela modalidade de oração, especialmente se incluir alguma forma de ritual. Se membros da família do “paciente” estiverem presentes, deverão ser convidados a integrar o círculo. Todos os participantes poderão então passar um temo orando individualmente por aquele “paciente”.
• De alguma forma, o inteiro grupo deverá orar ao mesmo tempo, ao redor do “paciente”, colocando a mão direita sobre ele, e pousando a mão esquerda no ombro do participante do círculo que lhe estiver mais próximo. Nessa postura, cada membro do grupo deverá procurar visualizar a parte lesada ou adoentada do corpo do “paciente” como se estivesse em perfeitas condições de saúde.
• A oração poderá prosseguir silenciosamente ou não, mas quem estiver liderando deverá concluir a sessão com uma oração em voz alta, pedindo a Deus Pai, em nome de Jesus, para sanar a parte que precisar de cura, mencionando-a, e concluir agradecendo ao Pai, em nome de Jesus. Depois, há quem goste de passar um tempo revisando a sessão com o “paciente”. Eu prefiro dizer-lhe somente umas poucas palavras para estimulá-lo a sentir-se como alguém que está bem e daí convido a todos a se retirarem em reverência silenciosa.
• Durante algum tempo, depois dessa sessão, é importante que todos os participantes continuem mantendo aquele “paciente” em suas orações, procurando visualizá-lo sempre como uma pessoa sã. Poderá ser necessário repetir o círculo e, de fato, é o que costuma acontecer, mas isso não deve ser motivo de preocupação. Dependendo do tipo de problema, o “paciente” poderá precisar voltar mais de uma vez ao círculo de cura. |
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