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Relembrando Vidas Sagradas
Neste número
Ir. Maria Cristina Batista: Relembrando uma Vida Sagrada
Ir. Augusta Pereira Ramos: Uma Mulher Cheia de Fé e de Entusiasmo
Ir. Benedicta Scheidweiler: Uma Vida Maravilhosa
Com um Coração de Madre Francisca…
Ir. Giuseppina Bertini Afiliada Dora Virruso Afiliado Mario Vitale Afiliado Gianni Scotto
Ir. Rose Margaret Delaney: “Sua vida foi sempre um dom para nós. . . ” Ir. Mary Mildred Clark: “A Irmã Que Estava Sempre Sorrindo”
Várias Recordações:
Ir. Catherine Marie Meinerding Ir. Marie de Lourdes King Ir. Patricia Holly Ir. Ignatia Finke Ir. Amelia Marie Bobbert Ir. Joanna Burkhart
Relembrando Vidas Sagradas

Queridas Irmãs e caros Afiliados,
Como somos abençoados!... Entre as solenidades e as leituras escriturais, neste mês de novembro, o calendário litúrgico nos estimula a relembrar em reflexão as pessoas que, na fé, passaram desta vida, antes de nós, para a eternidade junto a Deus!
Para honrar este tempo especial de recordações, convidamos Irmãs e Afiliados de todas as Áreas a partilharem conosco suas meditações pessoais sobre a luz de cura que os iluminou ao conviverem com santas almas que ainda nos são tão caras. Suas partilhas nos fazem pensar nas palavras de Madre Francisca que continuam válidas nos nossos dias: “TUDO na verdade depende de como você bem aproveita o seu tempo de vida”.
A escritora americana Natalie Goldberg nos fala da importância de testemunharmos o tempo que nos é dado viver: “Conscientemente ou não, transmitimos adiante a presença de todas as pessoas que conhecemos desde sempre, como se tendo estado na presença uns dos outros, tivéssemos partilhado nossas próprias células e passado a elas uma parte da nossa força vital, para depois continuarmos carregando a outra pessoa que incorporamos em nós, assim como na primavera o carrapicho dos campos que atravessamos vem se prender em pequenas saliências nas nossas meias, roupas e chapéus, como que dizendo: ‘Siga em frente, leve-nos consigo para podermos germinar em algum outro lugar’. É assim que podemos durar bem depois da nossa morte. Por isso é importante quem nos tornamos: para que possamos continuar adiante.”
Enquanto meditamos, afagando essas lembranças como reflexos da luz da cura, talvez seja propício nos perguntarmos: ‘por quais motivos eu gostaria de ser lembrado?’
Que as nossas respostas possam refletir a Luz!
Unida na Bem-Aventurada Francisca como sua irmã,
Marilyn Trowbridge, sfp
Contato com as Comunicações
[Desenho: “O Que Poderíamos Ser”, de Mary Southard, CSJ] |
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Lembrando Vidas Sagradas: Irmã Maria Cristina Batista, SFP
Irmã Maria Goretti Pereira, SFP
Ir. Maria Cristina |
Sentimos muitas saudades de Irmã Cristina Batista, cuja presença foi tão marcante para todas nós que fomos suas companheiras em vida religiosa. Mas ela é ainda mais especial para mim, por termos sido as duas primeiras brasileiras a ingressarem na Congregação, logo após a fundação em Pires do Rio.
Neste ano de 2010 estamos celebrando os 50 anos da chegada das Irmãs Franciscanas dos Pobres no Brasil. Irmã Cristina se empenhou profundamente para fazer parte da nossa Congregação religiosa. Era uma pessoa de coragem, humildade e fidelidade em seus compromissos. Invocava com frequência, no dia a dia, o seu refrão: “Oh, Divina providencia! Para cuidar de tudo e de todos, só precisamos confiar!”
Ela não media esforços para ajudar os outros. Sua vida de oração e de sacrifícios não tinha preço. Dedicou-se a vida inteira em trabalhar na Creche, cuidando das crianças carentes e pobrezinhas, para realizar a vontade de Deus. Em seu semblante sempre prevalecia a alegria e uma expressão materna.
Este convite de Vozes SFP a revermos a história das Vidas Sagradas dessas pessoas que foram chamadas pelo Pai a nos deixarem para irem ficar ao seu lado no céu é, para nós, uma alegria e um incentivo, pois lembrar as boas obras nos revigora, dando-nos a força e a fé necessárias para continuarmos na caminhada.
Com certeza Irmã Cristina está agora intercedendo por nós, Irmãs Franciscanas dos Pobres, junto ao Pai. Como todas as Vidas Sagradas, também a sua nos leva a compreender as graças que Deus nos concedeu, mesmos sem as merecermos. Possamos nós aprender com essas pessoas, no dia de hoje, a confiar mais no Senhor e nos entregarmos nos braços de Deus para que se cumpra em nós segundo a sua vontade! |
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Irmã Augusta Pereira Ramos SFP
6 de janeiro de 1939– 27 de abril de 2006
Ir. Augusta
Irmã Daniel Marie Meade, SFP
Morei com Irmã Augusta aqui em Jataí por vinte e seis anos. Durante todo esse tempo fui influenciada pela maneira como viveu o seu lema: "de graça recebestes, de graça dai” (Mt 10, 8) muito intensamente, dando graças a Deus pela sua vocação religiosa e por sua vida de oração, no espírito de Madre Francisca de curar os pobres e os doentes.

Irs. Josetta Marie Lonnemann,
Mary David Mulroy, Ir. Augusta |
Fielmente e com grande entusiasmo, ela costumava preparar a “multi mistura” − que consiste numa combinação de vários ingredientes como farelo de arroz, cascas de ovos, algumas sementes e folhas de mandioca − a ser distribuida aos participantes do programa da Pastoral. Além disso, fazia acompanhamento das crianças, pesando-as mensalmente e controlando suas carteiras de vacinação. E também realizava palestras para as mães sobre como cuidar dos filhos.
Sinto-me agradecida a Irmã Augusta, fortalecida pelo seu exemplo na minha vocação de servir a Cristo nos pobres e nos sofredores, assim como pelo serviço exemplar de outras das nossas Irmãs que também passaram pela minha vida.
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Irmã Benedicta Scheidweiler: Uma Vida Maravilhosa
“Para nós, Irmãs Franciscanas dos Pobres, a vida de Irmã Benedicta
é uma imagem revivida de Madre Francisca..”
Irmã Elisabetta La Manna, SFP
Ir. Benedicta
Ir. Benedicta com Irmã Consolata e Irmã Clara
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Lembro-me de Irmã Benedicta Scheidweiler com imensa admiração e afeto devido à simplicidade com que ela viveu. Sempre contente e sorridente, era a perfeita expressão da alegria franciscana. Cheio de poesia, seu espírito tinha o frescor e o encantamento de uma criança. Era capaz de se empolgar com tudo e de acolher a beleza em todos.
Irmã Benedicta estava sempre pronta a acolher cada criatura como um dom de Deus. Destemida, humilde e discreta, era cheia de iniciativa e muito criativa nas diversas atividades em que se envolveu pelo bem da nossa Congregação. Em 1972, aos 70 anos de idade, foi para o Senegal fundar nossa missão juntamente com Irmã Mary Maloney e onde serviu por três anos.
Quando voltou para a Itália, tive a felicidade de conviver com ela na Comunidade da Casa Schervier, em Vermicino. Falamos muito sobre o Senegal, sobre suas atividades pela promoção da mulher, sua disponibilidade em ouvir os necessitados, partilhar em oração com os jovens cristãos e com as crianças que ela tanto gostava de apreciar, cantando e dançando.
Irmã Benedicta trabalhou muito pela nossa presença no Senegal, expressando sempre seu desejo de que aquela missão continuasse. Sentindo-me inspirada pelas suas preocupações, voluntariei para ser ministrar no Senegal, dizendo às minhas Superioras que estava pronta e disposta a partir. Depois disso, muitas outras Irmãs da Itália se dispuseram a apoiar nossa missão africana.
Irmã Benedicta dedicou sua vida a muitos ministérios em vários países: na Bélgica, na Itália e na África. Ela sabia como capacitar as pessoas e inspirar confiança, pois era uma mulher forte e corajosa, que nunca esmorecia diante das dificuldades que enfrentava.
Para nós, Irmãs Franciscanas dos Pobres, a vida de Irmã Benedicta é uma imagem revivida de Madre Francisca. As sementes plantadas pela nossa Fundadora continuam a produzir bons frutos, como ela, para a maior glória de Deus a serviço dos mais necessitados.
Lembrando Irmã Benedicta, agradecemos ao Senhor por tudo aquilo que Ele realizou através dos seus serviços!
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Com um Coração de Madre Francisca …
“Ficamos gratas a cada Irmã e Afiliado que, na caminhada da fé, partiu para o Senhor antes de nós. . .”
Irs. Vincenzina Raimondo, Carla Casadei, e Giannica Selmo

Ir. Giuseppina Bertini, Ir. M. Patricia Susen |
“Posso afirmar com certeza que a minha opção de viver no espírito de Madre Francisca é fruto do meu amor pela Igreja, da necessidade de pertencer a ela mais profundamente, e da minha vontade de ser uma célula viva para a maior glória de Deus. Partilhar com todas as Irmãs da Congregação, inclusive as da Alemanha, é motivo de grande alegria e energia, para mim..”
Irmã Giuseppina viveu intensamente o amor que desde o seu Pré-noviciado já sentia pela nossa Congregação, pela Igreja e por todos os nossos irmãos e irmãs. Ela amava a todos de maneira concreta, carinhosa, sensível, abnegada e completamente aberta. Até os últimos anos de sua vida, Irmã Giuseppina serviu cada criatura em palavras e ações, com carinho e atenção. Os jovens desabilitados a quem serviu no Instituto Kolbe deram testemunho de seus cuidados: “Irmã Giusy, você era tão boa e alegre que o seu sorriso abria todas as janelas cada vez que entrava em nossa sala de aula. Ficamos muito tristes ao saber que já não está mais entre nós, mas sabemos que vive agora em nossos corações assim como nos guardava no seu coração...”
No decorrer dos sete anos de sua longa enfermidade, Irmã Giuseppina foi um grande exemplo de dedicação ao próximo. Poucos dias antes de sua partida, ao receber a Unção dos Doentes, pediu em oração a graça do “amor recíproco entre as Irmãs e a presença de Jesus no meio de nós”. Foi essa a sua última vontade e o seu legado quando passou aos nossos cuidados o seu testemunho de vida e sua maneira de se entregar, tão completamente, de corpo e alma, para podermos amá-la assim como ela nos amou.
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Na Itália, três pessoas foram fundamentais para o nascimento da Relação dos Afiliados entre nós, partilhando cada um seus próprios dons. Em seguida, Irmã Vincenzina Raimondo nos oferece um breve perfil das suas vidas . . .
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Dora Virruso foi minha amiga por muitos anos. Quando precisou deixar a Congregação das Irmãs Missionárias da Caridade, de Madre Teresa de Calcutá, por motivo de saúde e voltou para a sua nativa Sicília, começamos a entrar em contato regularmente. Convidei-a frequentemente a visitar-me. Muitas vezes ela se integrou ao nosso grupo de jovens voluntários visitando o acampamento dos ciganos onde ministrávamos. Dora queria servir os pobres e gostava do nosso estilo de cura nas relações em que o serviço era realizado reciprocamente. Foi assim que ela iniciou sua caminhada de preparação para se tornar uma Afiliada SFP. A herança que ela me deixou foi seu amor ilimitado pela humanidade pobre e sofredora, sua abertura e dedicação, a mesma que senti que devia partilhar com ela quando a acompanhei na sua última caminhada de volta ao Pai. |
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Mario Vitale já era idoso quando o conheci. Notável pela sua integridade pessoal e profissional como destacado advogado na corte civil, era especialmente talentoso e muito atinado. Logo demonstrou interesse em conhecer Madre Francisca e, à luz do meu diálogo com ele, pude compreender como o nosso carisma de cura pode ser único para os leigos.
Ouvindo-o falar, senti que era muito aberto. Certo dia, em conversação, ele mencionou que se sentia um filho de Madre Francisca. Dizia que uma nova “juventude” havia se iniciado para ele, pois começava a sonhar com uma comunidade de leigos que praticasse o carisma das Irmãs Franciscanas dos Pobres. Todas as vezes que conversamos, notei que havia compreendido algo de novo. Juntos, encontramos um modo de envolver pessoas que víamos particularmente abertas a receber o nosso carisma. Ele me legou um modo de discernir, simples e humilde, como um filho de Deus desinteressado dos bens materiais, o que o levava a partilhar com os necessitados.
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Gianni Scotto me foi apresentado por Bárbara e Alessandra, duas participantes do grupo de jovens que acompanhamos. Era um homem competente, acolhedor, alegre e agradável. Sua inteira família era muito chegada à nossa comunidade, mas ele expressava sempre uma amizade mais especial. Para ele, todos os problemas eram tratáveis. Tudo era possível e todos os obstáculos podiam ser vencidos. Gianni deu testemunho desse fato especialmente durante sua longa enfermidade. Quando disse a ele que sua vida era preciosa e redentora porque ele participava plenamente do Mistério Pascal, e que era assim que estava ajudando a curar as chagas da humanidade pobre e sofredora, Gianni entrou numa comunhão mais profunda com Madre Francisca. Na medida do possível, ele colocava seus talentos a serviço dos outros. E foi assim que me passou a sua habilidade de viver a vida com alegria, uma esperança ilimitada e um senso de humor. |
Ficamos gratas a cada Irmã e Afiliado que, na caminhada da fé, partiu para o Senhor antes de nós. Gratas pelo amor que ofereceram, pelo seu empenho para com os pobres, mediante os exemplos simples, mas concretos, que nos deixaram. Nossa fé e nossos ministérios hoje em dia, temos a certeza disso, são frutos também da herança que eles nos deixaram!
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Irmã Rose Margaret Delaney: "Sua vida foi sempre um dom para nós..."
Irmã Grace Frances Strauber, SFP

Guardo em meu apartamento, num lugar proeminente, um belo retrato de Madre Francisca Schervier que Irmã Rose Margaret me trouxe de presente da Alemanha, há muitos anos. Nos encontramos pela primeira vez na Casa Provincial Monte Alverne no ano precedente ao nosso Capítulo da Renovação de 1968. No Capítulo seguinte, ela foi eleita Ministra Congregacional.
Naquele tempo extraordinário mudanças sociais pairavam no ar pelo mundo afora. Os Decretos do Conselho Vaticano II estavam sendo amplamente discutidos e implementados e nós estávamos bem no meio de tudo aquilo! Nem todas as Irmãs ficaram satisfeitas com as mudanças, mas Irmã Rose Margaret possuía a habilidade toda especial de respeitar os sentimentos de excessiva preocupação ou arrebatamento de cada uma. Foi ela quem nos ajudou a entrar nesse novo momento da Igreja. Sua convicção e confiança na integridade e dedicação a Deus por parte de todas as nossas Irmãs nos impeliram com a necessária energia condutora. Ela nos estimulou, oferecendo-nos o raro exemplo de sua própria conduta de vida, mas sobretudo oferecendo-nos com amor e confiança seu tempo, suas energias e seu entusiasmo. Aquela época agitada requeria profundidade na fé e um grande senso de humor, duas qualidades que não lhe faltavam.
Ao concluir seu mandato em 1980, Irmã Rose Margaret se sentia extenuada, mas logo se envolveu em projetos como a atualização da Regra da Terceira Ordem Regular. Depois, sendo chamada a servir em liderança como Ministra Regional dos Estados Unidos, que até então faziam parte da administração geral, ela se disponibilizou, disposta a viajar muito entre Nova Jersey e Ohio. Além disso, organizou eventos como a Oficina de Formação de Comunidades e outros que já nem me lembro. Mas na memória me ficaram a sua bondade e o seu desejo de que todas as Irmãs vivessem felizes e bem informadas.
Quando minha mãe faleceu, Irmã Rose Margaret e Irmã Mary Maloney se mantiveram ao meu lado e me ajudaram muito a superar aquele período difícil. Irmã Rose Margaret era sempre alguém com quem se podia contar, um firme apoio tanto pessoalmente quanto nos trabalhos e orientações da Congregação, oferecendo generosamente seus conhecimentos e experiências quando mais se precisava. Sua contribuição foi imensa e sua vida foi sempre um dom para nós.
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Irmã Mary Mildred Clark: "A Irmã Que Estava Sempre Sorrindo"

“ Talvez o maior impacto que ela causou em mim tenha sido sua
generosidade, compaixão, amor à vida e pelos outros ..." .”
Afiliada Pam Johnson
Quando encontrei Irmã Millie pela primeira vez, fiquei maravilhada ao perceber o quanto ela me lembrava minha avó, ao ponto de ambas partilharem o mesmo nome! Por muitos anos desfrutamos nossa mútua companhia, inclusive na piscina do Convento Santa Clara, aqui em Cincinnati. Mesmo precisando andar de cadeira de rodas, ela costumava nadar duas ou três vezes por semana! Passeávamos pelo jardim, conversávamos longamente e ríamos muito, especialmente na piscina, enquanto usávamos os instrumentos da hidroterapia.
Irmã Millie gostava de ouvir música, especialmente quando Irmã Jean Marie Hilvers vinha se juntar a nós. Ouvíamos a cantora irlandesa Enya, o instrumental contemporâneoYanni, a Orquestra de Glen Miller, o cantor Frank Sinatra, e todo tipo de música de inspiração espiritual.
Ela costumava apreciar a neve caindo lá fora enquanto conversávamos no conforto da piscina aquecida. Era eu quem a colocava no elevador para cadeiras de roda que lhe permitia entrar na água, sempre emitindo um gritinho de alegria – “Uuh-uí!”– e dando uma gargalhada tão alto que as outras pessoas que estavam nadando naquela hora tinham de rir com ela. Era muito divertido, porque mesmo entrando pouco a pouco na piscina, ela fazia de conta que a água estava fria.
Irmã Millie era encantadora! Talvez o maior impacto que ela causou em mim tenha sido sua generosidade, compaixão, amor à vida e pelos outros. Mas acima de tudo, foi ela quem me ensinou a maneira delicada e cheia de amor com que expressava sua devoção a Nossa Senhora desfiando o Rosário. Agora, é uma grande consolação para mim saber que Irmã Millie está sorrindo para nós, lá do céu, com o Rosário nas mãos e aquele sorriso de sempre em seus lábios!
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Várias Recordações de Irmã Arleen Bourquin
Desde que recebi o convite para escrever um artigo sobre uma Irmã cuja vida me parecia ter sido particularmente sagrada e que tivesse influenciado a minha própria vida, foi difícil escolher uma só, porque foram muitas. Nos últimos 15 anos tenho tido o privilégio de escrever os obituários de muitas das nossas Irmãs, o que contribuiu significativamente ao meu dilema! Decidi então partilhar brevemente alguns dons que várias Irmãs ofereceram não somente a mim, como também a outras Irmãs Franciscanas dos Pobres. Todas essas Irmãs foram dons especiais para mim. Cada uma delas, à sua própria maneira, se esmerou para ser a manifestação de uma genuína presença de cura...
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| Irmã Catherine Marie Meinerding foi uma das primeiras Irmãs que me veio à mente. Serviu como Mestra das Noviças por muitos anos. Quando uma condição cardíaca exigiu que fosse cuidada por outras pessoas, ela, que era um modelo de fé e energia, tornou-se um modelo de humildade e simplicidade. |
Irmã Marie de Lourdes King apesar da condição cardíaca congênita ter se intensificado pouco antes de proferir seus votos perpétuos, em 1963 (ela veio a falecer seis meses depois, em fevereiro de 1964), sempre pensava primeiro nos outros. Durante o retiro espiritual pouco antes dos seus votos finais, por exemplo, ela ficou sabendo de uma postulante que estava discernindo sobre o significado de tomar o hábito. Irmã Marie de Lourdes se aproximou da postulante (que era eu) e, quando colocou suas mãos geladas sobre as minhas, num gesto de suporte e compreensão, foram para mim um cálido toque reassegurante que era aquele o meu caminho. |
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Irmã Patricia Holly , com seu talento para escrever, costumava demonstrar seu amor pelos membros da Congregação entrevistando as Irmãs sobre suas vidas. Assim, usando as informações que desse modo obtinha, Irmã Pat redigiu muitos dos obituários, detalhando para outras pessoas sobre a maneira especial que uma determinada Irmã havia vivido sua vocação...

Irmã Amelia Marie Bobbert, que havia pertencido ao ramo das Reclusas antes de ser transferida da Alemanha para os Estados Unidos, cultivava uma vida de intensa oração. Mas foi também um exemplo de abertura às mudanças na Igreja que ocorreram, inspiradas pelo Conselho Vaticano II, sendo ela uma das primeiras em nossa Congregação a participar da iniciativa de abrirmos uma Casa de Contemplação. Certo dia, voltando de um enterro, ela me perguntou quando eu iria escrever o obituário dela. “Afinal, já passei dos noventa...” ela me disse. |
Irmã Ignatia Finke era uma pessoa realmente empenhada em aprofundar sua relação com Jesus. Participou do Movimento Carismático por muitos anos, e almejava o dom das línguas. Ao fazer uma experiência espiritual de especial proximidade ao Salvador Crucificado, ela foi procurar, ansiosamente, por uma Irmã quase quarenta anos mais nova que ela (eu) para procurar esclarecer o que havia acontecido com ela...

Tocando o coração dos pacientes e seus familiares, além do pessoal médico enquanto passava pelos corredores do Hospital S. Francisco e S. Jorge (atualmente Mercy Western Hills Hospital), Irmã Joanna Burkhart, nunca encontrou um estranho sem parar para ouvi-lo, sempre procurando estimular as pessoas a depositarem sua confiança no amor de Deus. Era humilde, delicada e bondosa – mas também, muito decidida! Era imensamente apreciada pelas suas habilidades culinárias, especialmente pela deliciosa torta merengue de limão que fazia como ninguém.
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Queremos agradecer especialmente pelas belas fotos neste número:
Mary Milburn, Irmã Mary Jacinta Doyle e Veronica Buchanan, do Departamento dos Arquivos Congregacionais
Irmã Marie Clement Edrich
Irmã Giannica Selmo
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