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FRANCISCO: IRMÃO E RECONCILIADOR

São Francisco recebe os Estigmas – Relicário de porcelana de Limoges do século XIII
“Por isso, nós, que vivemos com ele, vimos que ele se alegrava tanto interior quanto exteriormente com quase todas as criaturas. Ao vê-las ou tocá-las, seu espírito parecia não estar na terra, mas sim no céu. E por causa das muitas consolações que recebeu e continuava a receber através das criaturas, pouco antes de sua morte, compôs os Louvores ao Senhor pelas suas criaturas, no intuito de comover os corações dos seus ouvintes para que louvassem o Senhor, e para que o próprio Deus fosse louvado por todos, nas suas criaturas.”
[Um Senso do Divino: Leituras Franciscanas para o Ano Cristão – da Compilação de Assis, II, 192]
Irmã Vera Crisafulli, da Área da Itália nos fala da vida de Francisco como sendo “um hino de louvor a Deus pela infinta bondade com que Ele olhou para Francisco, amou-o e o consolou. Através de uma intensa conversação com Cristo e seu ministério de amor aos irmãos e às irmãs, ele se tornou uma pessoa reconciliada consigo mesma, com as criaturas e a criação”. Irmã Vera testemunha também o carisma vivo de Francisco e Francisca nos nossos dias, ao escrever sobre sua própria presença de cura junto às mulheres recentemente imigradas para a Itália.
A Afiliada Barbara Bugg, da Área dos Estados Unidos nos diz, afetuosamente: “Amo São Francisco porque ele amou a inteira criação. Muito tem sido escrito sobre o seu amor pela natureza, mas penso que era mais do que isso. Ele era um amante da natureza”. Barbara destaca o espírito livre de Francisco, sua alegria constante, seu santo amor à “Senhora Pobreza”, e sua absoluta confiança em Deus.
Irmã Lécia José da Silva, da Área do Brasil, expressa em seus pensamentos: “Francisco percebe Deus escondido e considera cada criatura como irmão ou irmã, respeitando e amando a originalidade de cada uma, tornando-se assim irmão e reconciliador”.
Cumprindo o chamado do nosso Capítulo Geral a gerar compaixão e esperança na comunidade da vida, Irmã Lécia nos oferece uma oração, ao concluir seu artigo. Talvez queiramos tornar nossa essa sua oração ao lermos este número de Vozes SFP.
“Que o nosso Pai Francisco interceda por nós junto a Jesus para que, de fato, possamos primeiramente tornar-nos irmãos e reconciliadores de nós mesmos, em nossa fraternidade, e depois uns com os outros, com o Universo e com Deus!”
Deus seja louvado porque nos deu o nosso Irmão Francisco e uns aos outros!
Unida em Jesus, São Francisco e a Bem-Aventurada Francisca, sua irmã,
Marilyn Trowbridge, sfp
Encarregada das Comunicações
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Maureen Fullam
Diretora das Comunicações |
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Irmão da Inteira Criação, Reconciliador e
Amante dos Pobres

Transitus de São Francisco na Basílica de Santa Maria dos Anjos
Irmã Vera Crisafulli, sfp

Irmã Vera Crisafulli no Centro Missionário de Assis

Encontro com um grupo de
adolescentes perto de Pistóia

Partilha com um grupo Taizè

Estátua de São Francisco abraçando o
leproso perto a Igreja de Rivotorto
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A vida de Francisco é um hino de louvor a Deus pela infinta bondade com que Ele olhou para Francisco, o amou e o consolou. Através de uma intensa conversação com Cristo e seu ministério de amor aos irmãos e às irmãs, Francisco se reconciliou consigo mesmo e com a inteira criação.
O que pessoalmente me empolga em sua vida é profunda vontade que ele tinha de restituir ao Pai, nos seus irmãos, todos os dons que Deus lhe havia concedido, porque como disse ele na sua Regra Não-Bulada, 17, 17: “... todos os bens pertencem a Deus e por tudo demos graças a Ele, pois dele procedem todos os bens” . Ele me faz compreender que minha vida não me pertence, que ela me foi emprestada para que eu possa oferecê-la, dia após dia, aos meus irmãos e irmãs como um instrumento de cura e reconciliação.
Em 1226, Francisco declarou em seu Testamento: “... como estivesse em pecado, parecia-me insuportável olhar para leprosos. E o Senhor me conduziu entre eles e tive misericórdia para com eles” (Testamento, 1, 2). E mais adiante: “... depois que o Senhor me deu irmãos ... o Altíssimo me revelou que deveria viver segundo o santo Evangelho”
O Reconciliador
Francisco persuadiu certa vez um homem pobre a perdoar o seu patrão que lhe havia espoliado de todos os seus bens. Quando o pobre se recusou a perdoar, Francisco deu a ele a sua capa, dizendo: "Toma, eu te dou este manto e te suplico que perdoes a teu amo por amor do Senhor Deus". Imediatamente abrandou-se o coração daquele homem que, movido por este benefício, perdoou a seu amo todas as injúrias que lhe fizera” (O espelho da perfeição, Segunda Parte, Cap. 32).
Em outra ocasião, tendo encontrado uma mulher que sofria de um mal da vista semelhante ao seu, Francisco enviou a ela o seu manto através de um intermediário juntamente com a mensagem: “'Um pobre homem, a quem tu emprestaste este manto te agradece e to devolve; toma, pois, o que te pertence’ ... Repleta de alegria, ela louvou ao Senhor ... Ora, São Francisco havia conseguido do frade guardião que todos os dias, enquanto ela permanecesse naquele lugar, os frades provessem suas necessidades” (O espelho da perfeição, Segunda Parte, Cap. 33).
O Amante dos Pobres
O coração misericordioso de Francisco me desafia a acolher abertamente imigrantes jovens e adultas recém-chegadas à Itália, com quem me encontro no meu ministério. Sinto-me chamada a curar suas feridas, ouvindo-as com amor para inspirar-lhes confiança, e colocando meus talentos à sua disposição, o que me faz sentir o coração repleto de alegria e de paz, como uma oportunidade de restituir a Deus os dons que dele recebi, de modo a transformar minha vida num cântico de ação de graças.
Francisco e Francisca
Assim como Francisco de Assis, também Francisca de Aachen praticava a reconciliação em nome de Deus, restituindo a Ele os dons que dele havia recebido, repetindo sempre: “de graça dai o que de graça recebeste” (Mateus 10, 8). Como Francisco, também ela experimentou a minoridade, a fragmentação e o pecado, mas também a profunda e infinita misericórdia de Deus. O olhar de Cristo atraiu Madre Francisca ao ponto de reconhecer o rosto de Jesus em cada pobre e sofredor e sentir arder no seu interior a chama de um santo amor ao próximo.
Também eu sinto, em minha vida, que o amor paternal de Deus é preponderante, permitindo-me abrir meu coração à irmandade universal e à reconciliação, todos os dias. Assim, servindo no Centro Missionário da Diocese de Assis, tenho a alegria de ser uma Irmã dos pobres e um instrumento de cura para a parte mais desprivilegiada da humanidade. Deus me ensina a partilhar a sua compaixão pelo estrangeiro e pelas multidões famintas. Bem sei que as pequenas ações que consigo realizar nada mais são do que umas poucas gotas de amor, mas sei também que elas contribuem concretamente a partilhar o evangelho do amor entre tantos abandonados.
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Porque Amo São Francisco

Uma escultura nada convencional de S. Francisco contemplando a noite estrelada no Monte La Verna, seu retiro perto de Assis
Afiliada Barbie Bugg
Amo São Francisco porque ele amou a inteira criação... Muito tem sido escrito sobre o seu amor pela natureza, mas penso que era mais do que isso. Era um amante da natureza, mas talvez fosse mais ainda. São Francisco realmente sentia que todas as criaturas de Deus eram tão suas irmãs e irmãos quanto o Papa! E talvez até mais...

Barbara Bugg em visita à Igrejinha de San Damiano com vários dos nossos Afiliados |
Segundo um famoso relato, Francisco pregava a centenas de passarinhos sobre a gratidão devida a Deus pela sua bela plumagem, pela sua independência e pelo cuidado que o Criador tem por elas. Essa história nos conta que os pássaros ficavam quietinhos enquanto ele caminhava entre eles e que só saíam voando quando ele dissesse que podiam partir.
Outro relato muito conhecido é o da conversão do lobo acusado de matar e comer até pessoas. Francisco decidiu intervir quando o povo da cidade de Gubbio havia decidido sair à caça do lobo. Saindo sozinho à sua procura, quando o encontrou, convenceu o lobo a nunca mais matar ninguém. E assim o lobo se tornou amigo do povo, que passou a tratar bem dele, mantendo-o sempre bem alimentado.
São Francisco amava a “Senhora Pobreza”. Nunca procurou abolir a miséria, mas sim, santificá-la. Possuir coisas era para ele a morte do amor. Dava tudo o que possuía para poder amar todas as coisas. Confiava em Deus de maneira absoluta e, muito simplesmente, se sentia absolutamente livre com isso. Seguindo o Evangelho ao pé da letra, São Francisco pregava as Boas Novas usando somente uma túnica de estopa, os pés descalços... Mas em pouco tempo as pessoas perceberam que aquele mendigo descalço, vestido de sacos, vivia sempre cheio de alegria.

São Francisco sentado entre as árvores |
Havia se tornado um homen simples, que abordava tudo diretamente e com simplicidade... Mesmo quando foi encontrar o Papa, chegou a Roma vestido de trapos, pedindo para ver um dos homens mais poderosos do mundo conhecido. E foi assim que se encontrou com o Papa, e inclusive conseguiu obter o que pedia.
Quase no final de sua vida, Francisco adoecera gravemente e, estando quase cego, o Papa insistiu que recebesse tratamento. Como foi que ele respondeu? Com toda a obediência, apesar do tratamento que recebeu ter sido terrivelmente doloroso. E foi então que escreveu o seu magnífico “Cântico das Criaturas”.
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Francisco: Curador Ferido e Reconciliador
Irmã Lécia Jozsé da Silva, SFP
Francisco marcou a história da humanidade no seu tempo, e continua a fazê-lo até agora. Mas não podemos nos esquecer da sua fragilidade humana, pois ele passou por vários conflitos internos antes de responder ao chamado de Cristo. No entanto, tornou-se um grande santo. Seu exemplo de vida nos convida e nos impele a tornar-nos santos porque Deus Pai é santo.
Sabemos que o caminho para a santidade é tecido como uma colcha de retalhos que a cada dia vai se compondo com um pedacinho da nossa experiência cotidiana. Nunca devemos desanimar quando um pedacinho se rompe: precisamos ter a coragem de nos renovar continuamente, sem desanimar, sempre recomeçando como se aquele fosse o primeiro e o único dia.
Imagino quantas dificuldades Francisco terá enfrentado em sua vida – ridicularizado pela sociedade, tido como louco. Mas isso não foi empecilho para ele, ao contrário, foi motivo de grande força para se lançar nos braços do Pai, sem reservas.
Refletindo sobre Francisco, o que o torna atraente para mim é a sua entrega total à vontade de Deus, ao ponto de reconhecer o Criador Supremo em tudo e em todos. Francisco percebe Deus escondido e considera cada criatura como irmão ou irmã, respeitando e amando a originalidade de cada uma, tornando-se assim irmão e reconciliador.
O Carisma Franciscano e a Cura
Enquanto franciscana, acredito que o testemunho do carisma franciscano de cura e reconciliação acontece verdadeiramente a partir do momento em que, no meu interior, há cura e reconciliação comigo mesma. Já enfrentei muitas crises na Vida Religiosa, momentos difíceis em que tive vontade de desistir, jogando tudo para o alto. Nesses momentos não fui capaz de enxergar a realidade. Só com o tempo é que consegui entender o processo pelo qual estava passando e, aos poucos, fui me despojando do egoísmo, do orgulho, da autoproteção, do ciúme, da inveja e da autosuficiência.
Embora consciente de que ainda necessito me despojar de muitas coisas para ser livre de amar e servir a Deus nos irmãos, acredito que a verdadeira reconciliação comigo mesma seja um processo que perdurará por toda a minha vida, pois o ser humano é um mistério que vai sendo desvendado até o último alento.
Enfrentar nosso “Lobo de Gubbio” Interior
Francisco teve a coragem de vencer o lobo dentro de si mesmo para ir ao encontro do outro. Foi capaz de esquecer-se de si, de suas vontades, para ver a necessidade do irmão e a ele se doar por inteiro. Muitas vezes penso: “Até que ponto eu seria capaz de me doar ao próximo?” É preciso adquirir muita sabedoria e discernimento, pois os instintos humanos são muito fortes. Muitas vezes corremos o risco, ao servir nossos irmãos, de buscar satisfazer nossas próprias necessidades, elevando e alimentando o nosso ego interior.
Hoje, o medo torna as pessoas agressivas, paralisando suas iniciativas. O medo é um dos obstáculos mais difíceis para se comprometerem com as lutas concretas do povo e passarem a defender as necessidades coletivas, não apenas as suas próprias ou as das instituições a que pertencem.
Que o nosso Pai Francisco interceda por nós junto a Jesus para que, de fato, possamos primeiramente tornar-nos irmãos e reconciliadores de nós mesmos, em nossa fraternidade, e depois uns com os outros, com o Universo e com Deus!
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